capítulo 5

a primeira expedição

por: miki w.
para ler ouvindo: “Minha Palhoça” de J. Cascata por Monica Salmaso

Bia parou por um instante, pensativa, ainda segurando a salva de prata com o que restou do bolo de fubá.

– Puxa, Yanagi… eu não sei dizer. Mas deixe-me pensar um pouco, quem sabe eu não tenho uma idéia?

Yanagi assentiu com a cabeça e deu um sorriso para Bia.

– Bem, que tal se eu mostrar a casa para vocês agora? Afinal, é provável que vocês fiquem aqui por uma temporada, não é mesmo?

E saíram todos atrás da Twingle e da Bodipã que, felizes da vida, já tinham se adiantado na frente de todos. bÔ ia pulando e tagarelando enquanto mostrava a linda casa de bonecas da Bia.

“Aqui é a sala”, ela dizia. “Tem uma TV enorme com muitos filmes legais pra gente ver.” “Aqui tem uma banheira onde eu gosto de ficar por horas.” “Aqui é o escritório, a Bia tá me ensinando a mexer no computador hihi.” e assim por diante.

As mikos demoraram-se um pouco mais quando chegaram à biblioteca. Era uma sala ampla com um pé direito altíssimo forrado de livros de cima a baixo. Elas ficaram encantadas. Kiku disse:

– Bia, que precioso!

Ao que Yanagi adicionou:

– Deve ser maravihoso ter uma coleção tão grande para explorar sempre que quiser!

– É uma espécie de herança de família, disse Bia sorrindo. Ela parecia muito orgulhosa.

– Fiquem à vontade para ler e xeretar no que quiserem ^^!

No entanto, bÔ, já impaciente porque faltava o cômodo “mais importante”, puxava Sakura pela mão insistentemente. Ela tinha gostado muito daquela florzinha fashion-tímida.

– Vem, Sakura! Quero te mostrar o mais legal de tudo!

Ainda sob o efeito inebriante da biblioteca, as mikos foram saindo em fila indiana, acompanhando bÔ e Sakura que iam na frente.

Andando pelo longo corredor, bÔ continuava a puxar a mão de Sakura numa ânsia, quase correndo. Sakura sorria cheia de afeto pela pequena. Finalmente chegaram na frente de um aposento com portas de correr à moda japonesa. Os olhinhos de bÔ brilhavam.

Twingle se adiantou e, fazendo correr uma das folhas da porta, muito séria e compenetrada, curvou-se à guisa dos cumprimentos orientais e disse:

Irashaimase! (1)

As mikos ficaram sem palavras, totalmente pasmas com o que se descortinou à sua frente. Era um verdadeiro quarto japonês, com tatames (2), lustre de papel-arroz e camas ao rés do chão, como manda o figurino.

Achando que precisava dizer algo, Tampopo murmurou profundamente agradecido(a):

– Bia, Bodipã, Twingle, é… encantador. Muito obrigado(a). Muito gentil. Muito educado.

As três sorriram sorrisos luminosos como se o fundo de suas almas resplandecessem. Abraçando a Twinglezinha carinhosamente e alisando sua longa e belíssima cabeleira loira, Bia falou:

– Assim que soube que vocês viriam, a Twingle não parou um minuto. Foi dela a idéia de preparar um quarto especial, bem japonês para vocês. Ela fez pesquisas, estudou um pouco da cultura japonesa, folheou muitas revistas de decoração. Foi divertido e muito prazeroso.

miss Twingle, disse Yanagi, é muita delicadeza. Estamos profundamente agradecidos e lisonjeados.

– Ah, por favor, meninos! Me chamem de Twingle, Twin, está bem? O miss é invenção do maestro Lúcio, meu professor de canto, disse ela corando um pouquinho.

– Além do mais, eu adorei preparar tudo. E tive muita ajuda da Bia e também da Bodi. Fico feliz que vocês tenham gostado. Queria fazer algo especial para receber amigos numa missão tão importante!

As mikos sorriram enternecidos para ela.

– Bem, meninas, agora é melhor deixar as mikos descansarem um pouco. Vocês bem sabem como é cansativo viajar de tele-transporte, não é mesmo? E eu posso apostar que, logo mais à noite, elas vão querer sair para explorar os arredores, certo?

Yanagi, imediatamente, concordou:

– Você está certa, Bia. Ainda que não tenhamos um plano de ação muito delineado, creio que seria uma boa idéia explorar os arredores para termos uma idéia do que nos aguarda.

Bia sorriu aprovando e foi se encaminhando para a porta. Obedientes, bÔ e Twin já aguardavam do lado de fora da shouji (3).


Ainda por alguns instantes, as mikos ficaram olhando para o lindo aposento embevecidas. Prestavam atenção em cada detalhe e não podiam deixar de agradecer intimamente por tanta bondade e altruísmo.

Depois, cada qual a seu tempo, foram desfazendo suas malas e povoando com sonhos e esperanças aquele que seria o seu novo lar por enquanto.

Apenas Tampopo estava um pouco alheio(a), parado(a), olhando para o nada no horizonte.

Bia, que era muito perspicaz, não pôde deixar de notar, pela nesga da shouji que se fechava enquanto ela ia embora, que Tampopo ainda estava aborrecido(a) com a história dos cabelos.

Desse modo, assim que começou a caminhar de volta pelo corredor, entrou no escritório e sentou-se à frente do notebook. Tinha em mente escrever para Miki contando o que havia acontecido durante a viagem de tele-transporte. Quem sabe ela não tinha uma palavra de consolo para o(a) pobre Tampopo? Ou alguma idéia…

Redigiu, pois, um longo email, contando o que havia acontecido desde a partida das mikos da ETTIP até a alegria e gratidão que elas sentiram ao serem apresentadas à sua nova casa temporária. Releu o texto com atenção e apertou o botão “enviar”. Levantou-se e foi para a cozinha. Agora era esperar por uma resposta.


para ler ouvindo: “O que me Importa” de Cury, por Marisa Monte

O dia voou com cada qual entretido em suas tarefas.

À hora do jantar, esperava-os uma sopinha leve e perfumada, picante na medida certa para revigorar e dar ânimo para a jornada que os aguardava.

Comeram em silêncio, saboreando cada nota da sopa. Até mesmo bÔ, percebendo a compenetração que pairava no ar, tratou de ficar bem quietinha. Mas não sem arregalar bem os olhinhos pretos de jabuticaba e prestar atenção a tudo o que acontecia.

Foi Sakura quem quebrou o silêncio, depois que todos já haviam finalizado sua refeição:

– Enquanto nos preparávamos para a primeira expedição, ocorreu-me que não temos onde guardar os sonhos que porventura consigamos capturar.

Disse “capturar” com uma certa apreensão na voz. Embora soubesse que era preciso fazer isso, achava um pouco cruel deixar essas criaturas tão mágicas e especiais numa espécie de cativeiro. Ainda que fosse por pouco tempo e por um bom motivo.

– Nya! bÔ tem uma idéia! bÔ tem uma idéia! E dizendo isso, saiu correndo em disparada para o seu quarto.

Todos se entreolharam curiosos e ficaram aguardando ansiosos que a pequena voltasse.

Arfando e pulando como nunca, a menina maluquinha voltou com brilho nos olhos carregando um de seus bens mais preciosos:

– O peixinho azul me deu de presente! É perfeito para guardar sonhos!

Em suas mãos, um gracioso baldinho de praia, com ancinho, pazinha e peneira. A peneira cobria o baldinho, o que deixaria os sonhos “respirarem” sem que corressem o risco de perdê-los. Diferentemente dos baldinhos comuns, esse era feito de puro cristal azul. Sem dúvida, um presente para alguém deveras especial.

As mikos se entreolharam por um momento, hesitando um pouco. Parecia não haver consenso entre elas.

– Que tamanho terá um sonho? Será que ele cabe aí? Perguntou Yanagi.

– Será que eles não vão ficar sufocados? Emendou Momiji.

– Será…

bÔ fez uma carinha muito emburrada e disparou frustrada:

– Eu telefonei pro peixinho azul… Ele me disse que serviria!

Todos se calaram e ficou um clima de tensão no ar. bÔ saiu correndo para o seu quarto e Twingle foi atrás dela acudir.

Bia suspirou profundamente e as mikos pareciam bastante desconfortáveis.

– Não foi a nossa intenção… conseguiu dizer Kiku com a voz abafada.

– A bÔ é assim mesmo, queridos. Sei que vocês estão preocupados em encontrar as respostas o mais rápido possível. É só que ela deve ter ficado chateada porque quer colaborar e está emprestando algo que significa muito para ela. Mas vai passar.

As mikos estavam desoladas. Bia continuou, tentando animá-las:

– Sugiro que levem o baldinho. Ainda que não saibamos se vai funcionar ou não, é a melhor opção que temos, certo? E, agora, é melhor vocês irem ou ficarão atrasados!

– Mas a bÔ… balbuciou Sakura cheia de aflição.

– Não se preocupe, Sakura. A Twin e eu cuidaremos dela. Tudo ficará bem. Agora vão. Vocês têm uma missão a cumprir.


para ler ouvindo: Bolero de Ravel

Cabisbaixos e taciturnos, eles pegaram os apetrechos que haviam separado para a expedição, juntaram a eles o baldinho de cristal e saíram para a noite estrelada. Acompanhava o baldinho um lindo carrinho que podia ser puxado por uma cordinha. “Bem pensado!”, Kiku disse para si mesma silenciosamente.

Foi boa sorte a noite estar tão bonita. Após uma pequena caminhada, eles pararam para admirar o céu de um azul profundo e intenso salpicado de muitas estrelas e uma meia-lua boiando na imensidão azul que parecia sorrir. Isso fez com que se descontraíssem um pouco e esquecessem o perrengue com a pobre da Bodipã.

Voltaram a caminhar e uma casinha toda iluminada no caminho chamou sua atenção.

– Acho que deveríamos começar por ali, o que vocês acham? Perguntou Momiji.

– Eu não sei… respondeu Kiku reticente.

– Bom, mas temos que começar por algum lugar, certo? Replicou Momiji.

Como não chegassem a um consenso e Momiji quisesse partir para ação logo, mesmo que a experiência desse em nada, decidiu que iria.

– Tampopo, borrife um pouco do elixir de goivo, por favor.

O elixir de goivo dava, a quem o usasse, o poder da invisibilidade, ainda que por alguns momentos apenas. Tampopo, que tinha um lado curandeiro(a)-mago(a)-bruxo(a), sabia preparar alguns elixires especiais.

Assim, tirando do embornal sua capa de mago(a) – que era utilizada exclusivamente nessas ocasiões – , o elixir e uma ampulheta, deu início à sessão. Muito compenetrado(a), paramentou-se com precisão e tomando o frasco de elixir nas mãos, abriu-o e borrifou uma pequena nuvem de um líquido brilhante e amarelo bem no topo da cabeça de Momiji. Imediatamente, virou a ampulheta que começou a escorrer os grãos de areia e, a começar pela cabeça, Momiji foi desaparecendo como que por encanto.

– Você tem exatamente 37 minutos, Momiji. Vá!


Sentiram como que uma brisa farfalhando as folhas ao redor de si e sentaram-se em círculo em torno da ampulheta, aguardando, então, o retorno do amigo.

Por sua vez, Momiji já havia adentrado a casinha iluminada como uma brisa suave. Havia muitas pessoas que riam e conversavam animadas e uma música alta e alegre preenchia o ambiente. “Acho que é uma festa”, pensou ele consigo mesmo. Foi andando pelos aposentos da casa, perscrutando, olhando cada canto e cada fresta, na esperança de encontrar alguém adormecido. Na mão direita, segurava firme a rede de caçar borboletas e estava sempre de olho no relógio que fazia a contagem regressiva do elixir da invisibilidade.

Foi até o quintal, encontrou um cão que levantou as orelhas e veio farejá-lo. Os cães, ao contrário dos homens, sabiam sentir a sua presença. O cão rosnou e alguém apareceu na janela. Momiji tratou de entrar na casa novamente antes que virasse croquete de fox terrier.

Resolveu espiar no andar de cima. Galgou os largos degraus de madeira, fez a curva, deu num corredor longo cheio de portas. Foi andando, o barulho da música ficava mais fraco. As luzes de todos os quartos estavam apagados, mas, infelizmente, não encontrou nada além de pacotes de presentes, bolsas e casacos que, pensou, deviam ser dos convidados.

Desolado, resolveu voltar para encontrar com os amigos. Bem, afinal, Kiku estava certa. Em momentos como esse, sempre se arrependia um pouquinho por não ter dado ouvidos à amiga. Porém, parecia nunca aprender a lição =).

Ao vê-lo retornando de mãos vazias e olhar baixo, Kiku pensou: “eu sabia”. Mas não disse nada.

– Era uma festa, não consegui encontrar ninguém dormindo. Foi tudo o que disse e as mikos, compreendendo a situação, não perguntaram nada. Já tinham visto isso acontecer inúmeras vezes e, como Momiji e Kiku nunca se entendiam nesses casos, chegaram à conclusão de que era melhor deixar pra lá.

Levantaram acampamento e foram andando ao léu, prestando atenção em cada casa por onde passavam, procurando pistas que lhes mostrassem que ali poderia haver alguém sonhando “sonhos verdadeiros”.

Quando achavam que haveria uma chance, arriscavam entrar. Entraram em uma, duas, três, dez casas… mas todas sem sucesso. Em uma não havia ninguém, as pessoas tinham ido viajar. Na outra, todos estavam vidrados assistindo futebol na TV (era final de campeonato). Na terceira, havia uma pessoa dormindo, mas nada de sonhos à vista… e foram tentando erraticamente, perambulando e jogando com a sorte. Chegaram a visitar dezesseis casinhas e… nada. Estavam ficando desanimados e já sem esperanças, quando avistaram um simpático predinho de três andares muito calmo e no maior silêncio.

Kiku profetizou:

– Algo me diz que ali pode haver uma chance.

Exaustos e desesperançados, entreolharam-se e prometeram que seria a última tentativa. Resolveram se dividir para acabar a missão mais rápido e poderem, enfim, voltar pra casa e descansar um pouco.

Momiji e Sakura, amigos inseparáveis, foram vasculhar o primeiro andar. Kiku e Yanagi dirigiram-se para o segundo e Tampopo ficou só com o terceiro andar.

Muniram-se do elixir da invisibilidade e lá se foram eles sem muita esperança, mas, ao menos, com a certeza de que o fim da primeira expedição – fosse qual fosse o resultado – estava próximo.

No apartamento que Kiku e Yanagi visitaram, tudo estava em silêncio. Uma fruteira em cima da mesa da sala de jantar continha um abacaxi cheiroso rodeado de várias laranjas. Na sacada, um gato amarelo malhado ressonava. Foram para os quartos, onde era mais provável que encontrassem alguém dormindo. Pé-ante-pé, entraram, mas… decepção, um jovem casal lia e conversava à meia-luz de um abajur. Tentaram, então, o segundo quarto. Mas, sem querer, Kiku esbarrou numa prateleira e deixou cair algo no chão. Com o estrondo, ouviu-se, imediatamente, o choro de um bebê e passos de um adulto vindo em direção ao quarto. Com pesar, Kiku viu um sonhinho voando pela janela, pequenino e um tanto sonolento. Era o sonho daquele bebê.

Enquanto isso, Momiji e Sakura faziam sua busca no apartamento de número 11. A cozinha, por onde entraram, era uma mistura de cheiros divertidos: cachorro-quente, bolo toalha felpuda, suco de laranja, confetti, guaraná… Sakura sentiu um pouco de fome e teve de se controlar para não atacar um cachorro-quente que encontrou por ali. Momiji puxou sua mão bem a tempo. Foram caminhando até a sala devagarzinho. Não queriam correr o risco de acordar alguém, no caso de o encontrarem. Para a surpresa de ambos, toparam com três crianças dormindo a sono solto na sala. Ficaram bem quietinhos, parados, só sondando silenciosamente. A probabilidade de encontrar um sonhinho por ali era grande. Esperaram. O tempo passava e eles começaram a ficar preocupados com o avançado da hora. Sakura saiu pé-ante-pé e foi vasculhar os outros cômodos, enquanto Momiji continuava espreitando por ali.

No apartamento de número 31, Tampopo vasculhou cada canto do apartamento escuro, mas nada encontrou. Sentiu-se um pouco oprimido(a) naquele ambiente, mas não sabia dizer por quê. Já estava desistindo e tomando a porta de saída, quando escutou um barulho vindo de fora. Ah! Vinha da sacada, que ele(a) não tinha percebido que existia. Sorrateiramente, foi chegando bem perto e percebeu que ali havia uma rede onde dormia profundamente e roncava um sujeito bastante grande, com a barba por fazer e que dizia coisas incompreensíveis para si mesmo.

Sakura voltou da expedição aos quartos sem sucesso mas, nesse momento, Momiji aproximava-se cuidadosamente de um sonhinho que, descuidadamente, voejava perto de uma das crianças adormecidas. Um-dois-três e zás! Momiji lançou certeiro a sua rede de caçar borboletas e o pobre sonho atordoado foi capturado. Depois de fechar a boca da rede, trataram de sair depressinha dali, pois já começavam a ficar visíveis novamente. Momiji mal podia acreditar em sua boa estrela embora, grunhisse, entredentes, sua raiva contra Kiku que, em seu pensamento, “sempre estava certa, para seu grande desgosto.”

O homem na rede se virou espalhafatosamente e, por um momento, Tampopo ficou gelado(a), achando que estava frito(a). Mas ele dormia tão profundamente, mas tão profundamente, que seria preciso uma betoneira passando do seu lado para que ele acordasse. Porém, foi a sorte ele ter se virado na rede, pois os olhos atentos de Tampopo conseguiram enxergar, amassado sob o peso do sujeito, algo que ele(a) tinha certeza de que era o sonho do sujeito. Mas como capturá-lo se ele estava debaixo do homem? Tampopo lembrou-se, então, de um bastão que ficava luminoso no escuro que ele(a) tinha ganhado em uma festa. Procurou em seu bolso, e voilá! “Acho que vai dar certo”, pensou, satisfeito(a) consigo mesmo(a). Torceu o bastão para acionar o mecanismo de luminescência e agitou-o suavemente, o mais próximo do sonho amassado que conseguiu. Dito e feito! O pequeno sonho, não sem uma certa dificuldade, saiu de baixo de seu sonhador, curioso com aquela luz brilhante e Tampopo, sem perder tempo, “zás”!, capturou-o bem na hora com sua rede. Na pressa de sair do apartamento, no entanto, ele(a) acabou esquecendo o bastão luminoso do lado do homem que continuava a dormir sem nem imaginar o que tinha acabado de se passar em sua casa.

Do lado de fora, Sakura, Momiji, Kiku e Yanagi já o esperavam um tanto quanto aflitos. Momiji já tinha tratado de prender o sonho que havia capturado no baldinho da Bodipã e, assim que Tampopo chegou, ajudou-o(a) a fazer o mesmo, tomando cuidado para que o outro sonho não escapasse nessa operação.

– Nada mal, heim? Para quem achava que a noite estava perdida… disse Kiku com uma pontinha de provocação na voz.

Mas Momiji a ignorou. Sakura, percebendo a possibilidade de uma discussão infrutífera, foi logo arranjando outro assunto para desviar a atenção daquela conversa:

– E não é que a bÔ tinha razão? Os sonhos até que parecem confortáveis dentro do baldinho!

– Mais ou menos, né, Sakura? Gozou Momiji. Eu acho que é meio apertado aí dentro.

Mas, de fato, ao menos os sonhos não estavam agitados como bichos presos na jaula, o que, sem dúvida, era um bom sinal.

– Putz, mas… e agora? O que faremos em seguida? Yanagi parecia realmente preocupado.


Participe! Se você tem uma dica do que as mikos devem fazer com os sonhos capturados, deixe sua sugestão nos comentário aí embaixo!

Caso sua contribuição seja aceita, seu nome figurará nos créditos de colaboração da construção da trama. No entanto, ao participar deste processo colaborativo, eles passam a ser parte integrante da história como um todo e, portanto, de propriedade intelectual da autora. Ao enviar uma colaboração, você concorda que está ciente das condições aqui descritas.


Agradecimentos: mais uma vez, mestre Hayao Miyazaki, constante fonte de inspiração; escritores, diretores e roteiristas de Monstros S.A., outra fonte de inspiração; Monique Gardenberg, Michele Matalon & atores e produção do espetáculo “Os Sete Afluentes do Rio Ota”, beleza e paixão e outra enorme fonte de inspiração.


Notas:
(1) Irashaimase: saudação utilizada pelos japoneses que significa “entre! seja bem-vindo!”
(2) Tatame: Tatame (畳), que significava originariamente “dobrado e empilhado”, é o piso tradicional japonês. O tatame tradicional é feito de palha de arroz prensada revestida com esteira de junco e faixa preta lateral. Seu formato e tamanho são padronizados. É o piso das áreas secas de uma residência e serve de medida para os cômodos.
Fonte: wikipédia
(3) Shouji: porta de madeira de correr utilizada nas residências tradicionais japonesas e revestida com papel-arroz para permitir a entrada da luz mas a barragem do vento.



este post foi originalmente publicado em 17.abr.2008 ~ 16:53

2 Thoughts on “capítulo 5

  1. Oi Miki, que lindo – adorei a parte do elixir! Amo esses artícios de fabulas! Os desenhos estão sensacionais! Eu quero um frasco do elixir de goivo dava! beijo

  2. oi, marcelo!!

    hihi, q bom q vc gostou! era bom um elixir de goivo, né? depois de ouvir suas histórias, aposto q vc ia querer usá-lo em muitas delas, não é mesmo? hehe

    beijinhos e bom feri,miki

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