a grande viagem

por: miki w.
para ler ouvindo: Blush Response por Vangelis

Não foi só Sakura que teve dificuldades em dormir naquela noite. Em sua nova cama, Lucy também virava para lá e para cá ainda preocupada se conseguiria mesmo dar conta de uma missão tão importante.

Mas o jardim dos sonhos era mesmo um lugar encantado e suas emanações benéficas e perfumosas ajudaram a serenar a mente agitada dos pequenos.

Dormiram um sono profundo e sem sustos, sem sonhos nem pesadelos. E na manhã seguinte bem cedinho rumaram todos para a ETTIP.

Yanagi comandava a tropinha e Momiji ia ao lado de Sakura procurando acalmá-la, dizendo que não havia porque temer o tele-transporte. Tampopo, Lucy e Kiku fechavam a fila, cada qual compenetrado em seus próprios pensamentos.

Não demorou muito para chegarem. A Estação de Tele-Transporte Inter-Planetária ficava num descampado imenso e era quase impossível não pensar como podia existir dois lugares tão diametralmente opostos no mundomiki. Enquanto o jardim dos sonhos exalava serenidade e bucolismo, a ETTIP era ficção científica pura: uma enorme construção de concreto e aço que resplandecia imponente e um tanto quanto ameaçadora.

Assim que chegaram, foram recebidos na entrada pela capitã Rachel, comandante-mor da Estação, e por Miki que os aguardava ansiosamente.

– E então, todos prontos? Disse Rachel para quebrar o gelo.

As mikos se entreolharam e assentiram afirmativamente com a cabeça. Nem Sakura titubeou. Apesar do pavor que estava sentindo, sabia que esse era o seu dever.

– Ótimo! Vou explicar os procedimentos e, logo em seguida, vocês embarcam.

– Rápido assim? Disse Sakura num misto de alívio e apreensão (já que não tinha outro jeito, ela queria que tudo acabasse o mais rápido possível).

– Sim, Sakura, a missão de vocês é especial e muito urgente.

A capitã Rachel era diligente, mas também muito gentil. Ela explicou, de maneira que todos compreendessem, como é que aconteceria a viagem, o que deveriam fazer em caso de emergência, como chegariam na Terra e como deviam fazer para voltar, entre outros detalhes. E terminou dizendo:

– Alguma pergunta?

Era chegada a hora da despedida. Primeiro, as mikos cumprimentaram e agradeceram muito à capitã Rachel por toda a ajuda. Depois, abraçaram a Miki pedindo que torcesse por eles e, por último, despediram-se emocionados de Lucy, agradecendo a bondade de seu coração.

Momiji foi o último a lhe dizer “até breve”. Talvez por isso, ele percebeu a inquietação de Lucy e logo adivinhou que a menina ainda estava preocupada em falhar. Para lhe dar coragem, ele a abraçou carinhosamente e confidenciou algo em seu ouvido que finalmente a deixou alividada. Então, sem olhar pra trás, Momiji adentrou no tele-transporte.

Miki e Lucy, juntas e de mãos dadas, ficaram acenando e a última coisa que puderam ouvir foi Miki dizendo:

– Se vocês puderem, contem no blog como vai indo a expedição para que os do mundomiki não fiquem aflitos sem notícias!

Então, ouviu-se um grande estrondo, uma luz amarelada envolveu cada uma das cinco mikokeshis e, num átimo, elas desapareceram.


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Da viagem de fato, eles pouco se lembravam, disseram depois.

Era como se boiassem no tempo-espaço semi-conscientes. Passavam estrelas, planetas, galáxias, luas, satélites… nuvens que pareciam flores, notas musicais. Tudo era de um azul profundo e escuro. Alguns achavam que viam pássaros, outros acreditavam estar levitando. Sim, uma sensação boa de levitar e de esquecimento. Uma hora corriam atrás de carneiros nuvosos. E eram crianças. No momento seguinte, brincavam num pomar que só tinha as frutas prediletas de cada um. Sakura dizia: “é maçã!”, apontando para uma árvore. Tampopo rebatia: “não, é carambola!”

Enfim, eram essas pequenas lembranças muito fragmentadas que eles tinham da viagem de tele-transporte. Na verdade, quem viaja nunca consegue de fato saber o que se passa. Mas o que importa é que nada de catastrófico aconteceu durante a viagem (para o grande alívio de Sakura!). Capitã Rachel, além de tudo, era competentíssima e não havia nem um só registro de acidentes desde que ela assumira a ETTIP.

Aportaram, pois, no jardim de Bia, numa manhã timidamente ensolarada.

Como se sabe, depois de uma viagem de tele-transporte, a pessoa pode ficar num estado hibernante por algum tempo. Esse tempo varia de pessoa para pessoa. A Bô e a Twin, por exemplo, demoraram alguns dias para acordar. O fator catalisador deste processo é o sol.

Bia espalhou as capsulasinhas no gramado do jardim de modo que o sol pudesse aquecê-las em sua melhor posição. Dali a pouco, as mikos foram despertando devagar, devagar. Só Tampopo permanecia adormecido(a). Todos se reuniram ao seu redor um pouco preocupados.


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Quando ele(a) finalmente despertou (Bia foi buscar um refletor para acelerar o processo ^^), achou esquisito que todos estivessem olhando para si com umas caras estranhas.

– Algum problema? Foi tudo o que conseguiu achar para dizer.

Bia não sabia se aquela era a melhor atitude, mas, na condição de dona da casa, guiou Tampopo até o vestíbulo e convidou-o(a) a se olhar no espelho.

Ele(a) ficou totalmente sem reação.

– Meus cabelos… o que houve com os meus cabelos?

Tampopo ficara completamente careca! Como não se lembravam do que tinha acontecido durante a viagem, era difícil dizer qualquer coisa. O fato, no entanto, é que Tampopo, curioso(a) com o que via da janelinha de sua cápsula, quis espiar um pouco mais de perto aquele universo novo, desconhecido e intrigante lá fora. Mas o tele-transporte viaja numa velocidade fenomenal e os frágeis cabelos dele(a) desarvoraram-se com um pé-de-vento.

Embora não fosse exatamente vaidoso(a), ele(a) parecia um pouco desolado(a). Bia tentou desviar sua atenção para que não ficasse pensando muito no assunto (afinal, já estava feito, não havia como voltar atrás):

– Tampopo, posso imaginar como você está se sentindo. Eu também tenho o maior xodó com os meus cabelos. Vê como eles são compridos? Mas, eu tenho uma idéia: vamos tomar café? Vocês devem estar famintos depois de tão longa viagem. Venha, pois “saco vazio não pára em pé”! Tenho certeza de que a gente vai descobrir uma maneira de remediar a situação!


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A mesa, arrumada com esmero, era um deleite para os olhos, o olfato e o paladar: queijo, presunto, ovos douradinhos, pães quentinhos, bolinho caseiro, café fumegante… geléia, doce-de-leite, frutas, sucos, biscoitinhos da vovó…

Só então perceberam como estavam realmente famintos. Comeram com alegria e, enquanto saciava a fome, Tampopo até se esqueceu do que tinha acontecido com seus cabelos.

– Meninos, vocês não sabem! A Twinglezinha ficou tão feliz, mas tão feliz com a notícia de que vocês viriam que acordou às 7 da manhã para deixar tudo bem lindo só para receber vocês. Foi dizendo Bia para desviar o pensamento do fato triste.

– Muito obrigada pela hospitalidade, Bia. E obrigada por se importar tanto conosco, Twingle! Agradeceu Kiku em nome de todos.

Enquanto comiam e conversavam animadamente, sorvendo golinhos de café com bolo de fubá ou um delicioso sanduíche de presunto e queijo, a conversa ia rendendo, com Twin perguntando pelos amigos e as mikos dizendo que fulano tinha pedido para dizer isso, sicrano aquilo e dando notícias de beltrano.

Foi quando Momiji lembrou:

– Ahhhhh, tem um presente pra vocês!

E indo buscar um pacote adornado com muitas fitas e laços e rendas em sua mala, estendeu-o para Twin e Bodipã.

Bodipã foi logo rasgando o papel (era impaciente!), curiosíssima para saber o que havia dentro. Muito embora, na maioria das vezes, ela acabasse gostando mais mesmo era da caixa ou da embalagem, rs!

Mas não foi o caso dessa vez. bÔ fez um “ohhhh” enquanto os olhinhos de Twin brilhavam sem que ela pudesse conter uma lagrimazinha de felicidade.

– Esse presente é muito, muito especial! Obrigada, amigos!

Tinha dado um trabalhão danado reunir todo mundo do mundomiki para tirar aquela foto. Numa ampliação caprichada, todos acenavam alegres como se dissessem: “temos saudades de vocês”! E junto, um bloquinho de notas onde eles escreveram mensagens de apoio, saudade, incentivo, memórias…

Enquanto elas se entretinham com o presente, com Twin lendo todos os trechos para bÔ que, vez ou outra pedia pra ela repetir algo, as mikos ajudavam Bia a tirar a mesa do café. Foi quando Yanagi pediu uma ajuda:

– Bia, já que você teve a brilhante idéia de caçar os sonhos das pessoas dormindo, saberia nos dizer onde é mais provável que encontremos os sonhos que estamos procurando?


Participe! E você? Tem algum palpite de por onde as mikos poderiam começar? Ou alguma mensagem ou dica para o(a) pobre Tampopo? Sim? Então, não se acanhe e deixe sua sugestão nos comentários aí embaixo ^^!

Caso sua contribuição seja aceita, seu nome figurará nos créditos de colaboração da construção da trama. No entanto, ao participar deste processo colaborativo, eles passam a ser parte integrante da história como um todo e, portanto, de propriedade intelectual da autora. Ao enviar uma colaboração, você concorda que está ciente das condições aqui descritas.


Colaboradores deste capítulo: Bia Lins, Pat Kalil


Agradecimentos: Kinue Watanabe



este post foi originalmente publicado em 10.abr.2008 ~ 18:59


2 Thoughts on “capítulo 4

  1. Bonecas, desenhos, imagens
    Mundo, poema, costura e ação
    Miki querida do meu coração

    Adorei o capítulo. E mesmo sem toda a trilha sugerida, sinto as notas no texto, na vibração e cores do desenho, no seu ritmo de criar semanalmente, contar e pintar. Parabéns. Cada canto, parabéns. Cada palavra, idéia mirabolante, parabéns. Todo sonho, parabéns.

    Com curiosidade, olhos grandes e alegria, aguardo o próximo capítulo da aventura em busca de sonhos perdidos. Se eu ouvir qualquer pista durante a semana, eu venho contar correndinho.

    Um beijo, P.
    Que acompanha esse e-conto com encanto.

  2. pat, é sempre alegria ouvir comentários do interlocutor! como me disse uma vez a escritora angela lago: “o trabalho do artista é tão solitário. sempre resta a dúvida se estamos indo para o caminho certo.”

    se vc tiver críticas, tb ficarei feliz em ouvir! às vezes é difícil tomar decisões e, de tão emaranhada q fico no meio da minha história, não consigo ter o distanciamento necessário para saber se corto ou não este ou aquele trecho, rs!

    obrigada por todo o apoio, querida!

    bjs e bom finde, miki

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