Por que os yorks são reis?

On October 7, 2006 by miki

Foi meu primeiro cachorro em 31 anos de vida. Para ser mais precisa, uma cachorrinha. Antes, tive um peixinho de aquário (tipo kingyo), um periquitinho (Quito) e uma coelha (Pink).

Mas, há algum tempo, vinha pensando com carinho na possibilidade de ser a mãe de uma cachorrinha. Sim, eu já tinha decidido que seria uma fêmea e fiquei bastante interessada na raça West Highland White Terrier. Para quem não sabe, é a raça do cachorrinho do Ig ou do “White” do uísque Black & White. Mas também simpatizava com os Yorkshire Terrier. O importante era ser uma raça pequena: primeiro porque, em apartamento, acho uma judieira ter um bicho grande e segundo… bem, segundo, porque tinha que ser um cão beeeeem fofinho (rs).

Mas o primeiro passo era saber se o Gumpa também toparia/gostaria de um cachorrinho em casa. Bom, toda vez que eu perguntava, ele desconversava ou fazia piada. Mas, um dia, depois de tanto eu insistir (claro que eu não ia aparecer com um cachorro do nada se ele não concordasse!) ele falou rápido e uma única vez: “se isso fizer você ficar mais feliz, então, tudo bem.” Uns dias mais tarde, quando perguntei de novo (pra ter certeza, sei lá, né…), ele continuou fazendo piada. Bom, então tomei isso como um sinal verde. E fui em frente.

Bem, na verdade, a Safiri apareceu na minha vida. Vou contar a história: na época, ainda trabalhava no Banco e ia a pé todos os dias para o escritório. Ocorre que, bem no caminho, abriu um pet shop! E eis que, ao passar pela recém-aberta loja um dia, apareceu uma filhotinha de york na vitrine… eu entrei para vê-la e foi paixão à primeira vista. Bem, todos os filhotes de york se parecem (ainda mais para quem nunca teve cachorro), mas, por algum motivo misterioso, a Safiri (sim, mesmo antes de encontrá-la, eu já tinha dado um nome a ela) me pareceu especial, acho que fomos feitas uma para a outra!

[lista de nomes, bem antes de eu sonhar com a safiri. o nome dela ainda não aparece, mas logo depois disso, ele brilhou em minha mente :-)]

Isso foi numa quarta-feira, se não me falha a memória. Falei rapidamente com o Gumpa naquela noite, ele continuou fazendo piada e, nessa altura do championship, a minha decisão já estava mais do que tomada.

Pedi consultoria pra Kan, minha melhor amiga e amante de cães e, na sexta-feira, fomos direto do escritório para o pet shop e eu, mãe feliz, de primeira viagem e orgulhosa, fui pra casa com a Safiri e sua dinda! Um pouco antes, no meio da tarde, mandei o seguinte email pro Gumpa: “Oi! Vou buscar a Safiri com a Kan hoje depois que sair do Banco”. Ele me disse que mostrou os emails para os amigos, fingindo indignação e dizendo: “Olha, eu só fui comunicado”. Mas eu sei que, na verdade, ele estava, a seu modo, feliz.

[1º dia da safiri em casa, com a mãe e a dinda!]

Nem preciso dizer que foi um acontecimento! Aquela bolinha preta tão fofa, tão indefesa andando pelo chão branco de casa. Impossível não se apaixonar. E foi o que aconteceu. Meu mundo passou a girar em torno da pequena. Eu ia pra aula de jóia e queria voltar cedo (fato que nunca tinha acontecido antes) e o professor: “depois que você arranjou a Safiri, não quer mais ficar aqui, mal chega e quer ir embora!” (rs)

[a pequena a dormir no 1º dia]

Era assim mesmo. E as viagens então? Só queria fazer programas onde se aceitassem cãezinhos. Cada passo foi um aprendizado, uma festa, enfim, uma alegria constante.

Ainda hoje me lembro de como ela adorava tudo e todos, tinha um espírito de “quero ser seu amigo” com qualquer um: gente, cachorro, pobre, rico, grande, pequeno… E de como ela adorava passear no imenso jardim gramado do Pava. Tardes felizes de domingo…

Mas, um dia, um dia… ela teve de fazer uma cirurgia para arrancar os caninos de leite que não tinham caído. É muitíssimo comum isso acontecer aos yorks e a cirurgia é necessária pelo acúmulo de tártaro que essa raça é propensa a ter. Na época, totalmente inexperiente, acabei caindo nas mãos de um veterinário duvidoso. A clínica era suja, o sujeito bronco e nem luvas ele usou! Tentou anestesiá-la (é preciso fazer uma anestesia geral), não obteve sucesso e, então – terror dos terrores – enfiou um alicate na boca da minha Safiri e começou a tentar arrancar os dentes a seco (com ela acordada). Claro que não deu certo, ficamos putos e fomos embora. Mas, nisso, um pedaço do dente já tinha sido arrancado e a cirurgia, que antes era necessária, passou a ser inevitável.

[ainda bebê. adoro essa foto pelo contraste de cores!]

Bem nessa época, chegou o Haku, um outro filhote york que achamos por bem comprar para fazer companhia à Safiri que ficava sozinha o dia todo. Bom, a epopéia do Haku fica para um outro post, mas, para entender o que vem a seguir, ele quase morreu e uma amiga, a Regina, recomendou-me o dr. Alexandre Merlo do hospital veterinário Sena Madureira. Até hoje, acredito que, se não fosse o Alê, o Haku tinha morrido. O que o tornou, para nós, o “médico da família” (rs).

Bom, mas, voltando à Safiri. Depois de conhecer o hospital – que tem uma infra bárbara (com raio-x, uti, centro cirúrgico, ultrassom…) – e o Alê, não tivemos dúvidas em levar a Safiri para uma consulta. Vocês acreditam que tem especialistas na clínica? Fiquei surpresa, não sabia que a medicina veterinária estava tão avançada! Ficou combinado que ela se consultaria com uma dentista, assim foi feito e logo marcada a cirurgia. Dessa vez, tudo muito bem acompanhado, anestesista especialista, batimentos cardíacos monitorados, enfim, tudo comme il faut. Mas, infelizmente, aconteceu o pior e, assim como quando uma pessoa faz uma cirurgia de grande porte não há como saber se a pessoa é alérgica à anestesia geral ou não, também não é possível saber de antemão com os bichinhos. E a Safiri era super-mega alérgica. Teve choque anafilático. É raro, mas pode acontecer. Pelo menos, fica a certeza de que não houve negligência médica e de que tudo, absolutamente tudo foi feito para poder salvá-la, mas era para ser assim, fazer o quê? Eu espero que o dr. Marcos, o anestesista, tenha ficado bem depois de tudo isso… foi uma fatalidade, mas eu imagino como ele deve ter se sentido. Se é que serve de consolo, fica a gratidão, de nossa parte, em saber que a Safiri estava em boas mãos.

Meu mundo caiu. Ela estava conosco há apenas um ano, mas nossa tristeza era indizível… Bem, acho que seria para qualquer dono de cachorro querido, né? Mas o que mais impressionou nossos amigos foi o estado em que o Gumpa ficou… Ele tinha se apegado enormemente à Safiri. Eu sou uma manteiga derretida, choro e me emociono por qualquer coisa desde um filme, passando pelo único capítulo que vejo de uma novela, Monstros S.A. e até comercial! Mas Gumpa não é assim, e ele ficou arrasado.

[gumpa, o pai coruja]

Bem restava saber o que fazer com ela… Nenhuma opção parecia se encaixar para nós: cremar com outros cachorros, enterrar num cemitério do amigo ou algo do tipo, entregar para a prefeitura que crema os bichos… Então, minha mãe – ah! como são sábias as mães – me aconselhou: “porque você não pede para o Claudio para enterrar a Safiri no jardim dele? Ela gostava tanto de lá, ele gostava dela e assim você poderá visitá-la quando for vê-lo”. De repente, no meio de toda a dor, aquilo pareceu um pequeno bálsamo. Liguei aos prantos para o meu melhor amigo e, ele, generoso como sempre, disse: “mas, é claro, imagine, nem precisava pedir, claro, venha sim”.

E assim foi feito. O Pedro, um empregado queridíssimo e que também gostava muito da Safiri foi quem nos auxiliou nesse momento difícil. Hoje, tem sempre uma vela acesa à noite em um lugar especial em frente a uma foto da minha pequena e, às vezes, um incenso ou uma flor fresca. E, quando posso, levo um botão de rosa no jardim do Pava e coloco sobre onde ela está enterrada.

Em minhas recordações, ela viverá para sempre. Nunca haverá alguém tão especial quanto Safiri. Ainda hoje – e agora – choro e me emociono ao pensar, com muito carinho, nessa cachorrinha.

E me pergunto como pude ficar tanto tempo sem ter um cachorro por perto. Acho que nunca mais conseguirei viver sem estar rodeada pelos meus queridos yorks.

Safiri, onde quer que você esteja, um beijo no coração da mãezinha que nunca te esquece.

[safiri no 1º dia com o “dindo”]

6 Responses to “Por que os yorks são reis?”

  • Essa história me comoveu! :”(
    Ainda estamos pensando se vamos ou não comprar um cão… Mas parabéns! Agora você é avó! Quantos filhotinhos nasceram?

  • ai, karen, foram 3! espero postar sobre isso em breve! eles são tããão fofos (rs)!
    eu chorei muito escrevendo ontem.
    ter cachorro é bom de+! minha vida mudou (para melhor!) depois da safiri. ainda mais agora, só em casa o dia todo… eles são muito companheiros. recomendo fortemente, karen ;-)! vcs pensam em um pequeno ou grande?

    bjs e ótimo domingo pra vc,
    miki

  • Eu não me importo com o tamanho, mas o Osmyr quer um maior, para servir de cão de guarda também. Eu queria um basset hound, aquele baixinho, comprido e orelhudo, mas esse já foi vetado, coisas fofinhas e peludas também :(
    Depois coloque as fotos dos filhotes! Vai ficar com eles?

  • ahhhh, karen! acho q vcs deviam ter 2! um “galande” para servir de cão de guarda e outro pequenino, para viver dentro de casa e te fazer companhia! nesse caso, os fofinhos e peludos são os melhores :-D!

    uma amiga tinha 2 bassezinhas, elas eram bem elétricas, mas ficavam o dia todo sós. bem, quanto a mim, como vc já sabe, recomendo fortemente os yorks (rs)! eles parecem realmente bichos de pelúcia q andam!

    quero ficar com 1 filhote. o problema é q a fila de doação aumenta a cada dia ;-)!

    em breve, fotos sim! e posts :-D!

    bjs, miki

  • Estou super preocupado, a minha york está sem pelo…
    já gastei uma grana e não obtive sucesso…
    teria alguma ideia?? Att.
    João Leandro

  • Esqueci…
    Meu e-mail é jleoo@ig.com.br

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