o elefante da vez, semana 2

On May 24, 2013 by miki

as duas últimas semanas foram… escorridas.

uma gripe me pegou e me derrubou. fiquei quieta em casa nos primeiros dias, mas já me achando muito adulta e boa na 6ª, resolvi sassaricar um pouco… resultado: mais uns dias de molho… de molho mesmo, recostada na cama pois era a única posição em que a tosse não atacava tanto! na 4ª última, voltei pro studio e retomei – timidamente – minhas atividades e até fiz reunião hoje, risos. me sinto melhor, mas ainda não 100%.

por essa razão, o elefante da semana passada faltou ao seu compromisso. mas hoje ele está por aqui :)

esse é um desenho do 4º ato, “segundo ataque” e a “jovem esposa” é interpretada pela marjorie. a personagem dela é uma típica garota de harajuku. ela fala meio “batchanês” (batchanês é a língua ÿnventada pelos netos descendentes de japas para se comunicar com as avós, japonesas imigrantes. vovó em japonês se diz “obachan”, daí o termo). o batchanês é uma mistura de português com japonês.

esse é o ato mais engraçado de todos e a plateia explode em risos. caco e marjorie arrasam e está muito presente a faceta murakami que cita com todas as letras e naturalidade as marcas americanas totalmente integradas no quotidiano japonês.

o que mais me encanta nesse episódio em particular é a maneira que a monique encontrou para bordar os universos murakamescos (o japão de hoje com sua mistura entre tradição japonesa e cultura americana, elementos tão díspares mas tão amalgamados) com o “mano” brasileiro, o mano paulista. <3 e agora um pouco de mura, ele mesmo:

“- aos meus olhos, você parece desfrutar a vida, ou estou enganado? – perguntou gotanda.

fiquei recostado à parede ouvindo o barulho da chuva – em certo sentido, sim. talvez esteja desfrutando à minha moda. mas não poderia dizer, jamais, que sou feliz. assim como você sente falta de algo, eu também sinto. por isso não dá para ter uma vida decente. continuo apenas a seguir os passos de uma dança. como o meu corpo conhece os passos, consigo continuar dançando. algumas pessoas chegam até a me admirar. mas, socialmente, eu sou nulo. aos trinta e quatro anos não estou casado nem tenho um ofício definido. vivo cada dia. não posso nem assumir uma dívida de moradia popular. no momento, não tenho com quem dormir. como acha que estarei daqui a trinta anos?”

haruki murakami in dance dance dance | tradução do japonês de neide hissae nagae e lica hashimoto


ilustração da autora

maldiçón
da série “o desaparecimento do elefante”
sobre foto de andré gardenberg
em homenagem à peça de teatro “o desaparecimento do elefante” de monique gardenberg e michele matalon sobre obra de haruki murakami

grafite sobre canson branco
237 x 325 mm
12.abr.2013


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