Mãe Exemplar

On October 28, 2006 by miki

Depois da morte prematura da Safiri, saímos em busca de outra yorkzinha para fazer companhia para o Haku. Estava difícil encontrar uma femeazinha por aquela época, tivemos que esperar um pouquinho até aparecer a Kiki.

[kiki mostra a língua!]


Ela era bem pretinha, um pouco miúda e veio com uma micose que foi terrível para curar, mas, com muito custo e uma variedade incrível de remédios para um filhote, conseguimos nos livrar da praga.

Engraçado como os cachorros têm personalidades distintas e totalmente particulares assim como os seres humanos. Enquanto o Haku é elétrico, agitado, ligado na tomada, sempre querendo brincar de bolinha (se você agüentar, tenho certeza de que ele pode passar o dia todo tranqüilamente trazendo a bolinha para você atirar novamente sem parar), a Kiki é super-hiper-mega tranqüila. Fica quieta o dia todo e adora descansar em qualquer lugar macio. Eu brinco que ela é um gato que encarnou num corpo de cachorro. E, verdade seja dita, ela é realmente uma lady. O jeito de andar, quase parecendo flutuar, o porte sempre ereto, o olhar altivo. Fofa.

Bom, a intenção (pelo menos a minha hahaha) sempre foi ter um casal para poder cruzar! Mas a Kiki é mais miúda que o Haku e sempre achamos que isso não seria viável até o dia em que tosamos ambos e percebemos que eles eram praticamente do mesmo porte (o Haku é muuuuito peludo, enquanto a Kiki tem um pêlo mais fino e ralo, mas igualmente bonito).

Perguntamos para o Alê o que ele achava e ele concordou conosco. Então, a partir do terceiro cio, quando quiséssemos, poderíamos deixar que a natureza seguisse seu curso! Nos dois primeiros cios, não é recomendável pois a cachorra ainda está, digamos, “em formação”.

Assim foi planejado e assim foi feito. Mas não tínhamos certeza se ela estava grávida ou não. Mais ou menos uns 25 dias depois do cio, ela começou a ficar meio sem apetite, um pouco enjoadinha e com uma falha no pêlo nas costas. Como foi sofrido para curar a micose de quando ela era bebê, corri para o Hospital Veterinário.

Tivemos sorte, a falha no pêlo não era nada, mas o Alê pediu para eu marcar um ultrassom para dali a alguns dias para vermos se tinha ou não filhotes naquela barriga!

E não é que estava cheinho de filhotes??? Mal o médico colocou o aparelho do ultrassom e já disse: “nossa, está cheio de filhotes aqui!” Achei engraçado como ele falou. Me diverti de verdade e fiquei feliz e um pouco apreensiva. Pelo exame, ela estaria com 27 ou 30 dias de gestação, mas barriga não tinha nenhuma e os fetos, nessa data, mediam cerca de 1 cm!!!

Bom, eu nunca tinha visto nem acompanhado uma gravidez ou parto de cachorro. Nunca tinha visto um filhote recém-nascido, de modo que tudo foi uma grande novidade e aprendizado para mim.

Eu não sabia, por exemplo, que a gravidez das cachorras dura apenas 60 dias! Nossa, é muito rápido! Mas também, eles vivem bem menos do que a gente, então, é totalmente compatível que tudo seja mais rápido em sua vida.

O engraçado é que é apenas no segundo mês que a barriga cresce. Por isso, no primeiro nem dá para saber se a cachorra está ou não grávida. Mas também, no segundo mês, a barriga cresce de repente. E a Kiki ficou muito grávida!

[kiki muito grávida!]

Bom, voltando ao dia do ultrassom, o Alê me passou todo o procedimento de como é o parto, contrações, sintomas, procedimentos, enfim, uma novidade sem fim que eu aprendia um pouco atônita (rs). Se em 30 dias ela não entrasse em trabalho de parto, era para eu retornar para fazer um novo ultrassom e assim ir monitorando dia-a-dia a partir daí para ver como estavam os filhotes.

Duas semanas antes da data prevista, eu já estava com o olho grudado na Kiki, temendo que ela parisse a qualquer momento (mãe exagerada, sabe como é?). Armei o sofá-cama e passei a dormir com ela para qualquer eventualidade (tinha um certo pavor de ela parir de madrugada, sei lá passar mal e a gente nem perceber).

Mas, bem, duas semanas se passaram e é claro que não aconteceu nada. Desmarquei compromissos adiáveis e passei a ser babá da Kiki em tempo integral. Até o Gumpa ficou em segundo plano (rs).

Na data marcada, fomos eu e Kiki para o hospital e, na sala de ultrassom, a médica disse: “São três filhotes e, olha, eles são grandes!”.

Tudo estava bem, os bebês passavam bem e prontos para nascer a qualquer momento. O Alê pediu que eu voltasse no dia seguinte para fazer um novo ultrassom.

Nada aconteceu até o dia seguinte à noite. O novo ultrassom diagnosticou que as batidas cardíacas dos bebês estavam um pouco mais baixas do que as do dia anterior, mas ainda dentro de um limite seguro. Se eles entrassem em um patamar um pouco mais baixo, era considerado “sofrimento fetal” e seria necessária uma cesárea.

O Alê disse que não seria prudente esperar mais 24 horas para fazer um novo ultrassom, então marcamos um novo exame para a manhã do dia seguinte. Ele mediu a temperatura da Kiki que estava mais baixa do que o normal. Isso é um indício forte de que a cachorra está entrando em trabalho de parto.

Fiquei atenta a noite toda, mas a dona Kiki estava mais sossegada do que nunca e nada aconteceu. No novo ultrassom, um dos cachorrinhos estava com os batimentos quase chegando no limite e eles nem estavam “insinuados” (i.e. nem estavam se encaminhando para onde deveriam para que fosse um parto natural). Diante dos fatos, a dra. Andrezza aconselhou a cirurgia, pois temia que se esperasse até à tarde, a condição dos filhotes não fosse tão favorável.

Tive de decidir tudo muito rapidamente, pois a médica-cirurgiã estava finalizando um trabalho e, se fosse o caso, a Kiki entraria no centro cirúrgico em 15 minutos. Bom, como nada tinha acontecido e eles nem estavam encaminhados, achei por bem que era melhor optar pela cesárea. Sempre fica o pavor da anestesia geral, mas, naquela noite, eu tinha dito a mim mesma “se tiver que ser cesárea, então que seja logo”.

Incrivelmente, depois de tomar a decisão, fiquei bastante calma. Estava lendo um livro delicioso e leve da Danuza Leão e isso me ajudou a afastar um pouco a ansiedade.

Graças a Deus tudo correu bem, os filhotinhos nasceram bem e saudáveis e a Kiki também ficou ótima.

Quando a cachorra passa por uma cesárea, às vezes, ela rejeita os filhotes e pode até mesmo matá-los por não reconhecê-los. Também, imagine a situação: ela dorme grávida, acorda com a barriga cortada e três bolinhas de pêlos ao redor. Coitadinha! Parece que há cachorras que mesmo com o parto natural mata a ninhada toda.

Houve um incidente assim na primeira madrugada e a Kiki mordiscou um dos filhotes (o Yuki) e eu fiquei desesperada. Corremos pro hospital em plena madrugada, mas, felizmente, não foi nada grave. Na hora, dei uma bronca bem dada na minha pobre Kiki, com o coração dilacerado por ela, mas não havia o que fazer. Era a única esperança de que talvez ela aceitasse os fihotes.

Felizmente, depois desse incidente, ela se tornou, quase que como mágica, uma mãezinha exemplar.

Hoje, os filhotes estão com 24 dias, já abriram os olhinhos e ensaiam os primeiros passos. Estão a coisa mais fofa desse mundo.

Nasceram 2 machos e 1 fêmea. O maior deles se chama Yuki, o outro Kero e a feminha, Pitita. É uma família muito linda!

[o sono dos justos]

Confesso que a primeira vez que pus os olhos nos filhotes, achei-os demoníacos. Mas isso não durou nem dois dias e eu já estava uma oba-chan bem babona (rs)!

BÔNUS TRACK
Quer ver mais fotos:
» do Gumpa?
» da Miki?


9 Responses to “Mãe Exemplar”

  • Miki!
    Obrigada por ter me enviado o Link do BLog pra mim! Li a história todinha da Kiki… Parabéns, oba-chan! Realmente os filhotes são muito fofos e já estão bem crescidos!
    Beijinhos,
    Cris

  • oi, cris!
    demorou (rs), mas finalmente eu fiz esse post e o das fotos!
    estou amando ser vó!

    bjs e ótima semana para vc, o maridão e o luke!

  • Parabéns Miki vovó ! são lindos os filhotinhos e essa é uma experiência muito boa não ? bJUs

  • é a ju c., acertei?
    é muito bom ser vóóóó! hehehehe
    bjs

  • Estava louca para ver os filhotes! Tão pequenininhos! Fiquei surpresa com a diferença de pelagem entre a Safiri e a Kiki, achava que os yorks fossem todos bem escuros, mas a Kiki é bem mais clara. Vai conseguir colocar os filhotes para “adoção” ou já está com dó? rs

  • hahaha, olha, karen, todos já têm destinação :'(. acho q o tung vai sofrer mais do que eu (ele está me saindo um cachorrófilo de marca maior!), fico com um pouco de dó da kiki, mas como disse o Alê: é o curso natural das coisas. Pelo menos, um deles (provavelmente o Yuki) ficará conosco, já que a “fábrica encerrou as operações comerciais” (rs), i.e. a Kiki foi castrada. Agora, só se tiver filhotitos de Haku com outra cadelinha!

    Quanto à pelagem, os filhotes (até onde eu sei) são sempre pretinhos e a cor só se define à medida que eles vão crescendo (por volta de um ano ou um pouco mais). A Kiki era bem pretinha quando pequena, mas foi mudando a pelagem. O Haku é bem pretinho, muito muito parecido com a Safiri!

    Beijos, Miki

  • Que lindo relato, Miki! Adorei conhecer seus filhinhos! Tão fofos, amei!!! Dá vontade de ter um tbm!!! Eu queeeeeeeeeeeeero! rsss

  • oi, akemi! ai, é tããão bom ter cachorro, não me imagino mais sem eles por perto!
    se puder, tenha, pois é uma experiência incrível!

    bjs, miki

  • A Kiki é lindinha. Uma lady!!E o pimpolho que conheci um fofao.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *