lenine e sua labiata

On November 3, 2008 by miki

assim de surpresa fui ao show do lenine. não estava nada programado, mas um amigo tinha ingressos disponíveis de modo que passamos uma tarde agradável com direito a almocinho, bebida com bolhinhas (as minhas preferidas), sakerinhas com muitas frutas, amigos queridos, cachorros fofos e disquinho na vitrola.

a chuva caía fina quando saímos rumo ao sesc pinheiros. mas nem o tempinho com carinha de triste desanimou esse recifense cheio de energia.

correndo o risco de cair no desgosto de muita gente, digo que não sou lá tão fã dele como intérprete, mas, paradoxalmente, adoro vê-lo no palco ao vivo.

do show de lançamento do álbum labiata, gostei especialmente:

– do cenário: simples (o que não significa dizer pobre!) mas eficiente, lindamente rústico. a pintura era linda. o velado era lindo. as luzes que revelavam e escondiam eram lindas;
– do jogo de luzes: no palco, no backstage, na platéia;
– do jogo de sombras e, às vezes, luzes refletidas nos tecidos do cenário, no chão do palco, no público;
– do figurino: quase monocor predominando cores não-cores, linhas simples mas com surpresinhas aqui e acolá, uma beleza de se ver!
– de ter ficado na frisa (lugar em que eu nunca havia reparado) e poder observar a movimentação do backstage, o palco e a platéia (o único porém é que a caixa de som fica muito perto do seu ouvido prejudicando especialmente o canal de som da voz);

[lénine ~ foto por ethnocentrics]

sempre tive uma simpatia pelo moço. posso estar ingenuamente enganada, mas ele me passa a impressão de ter verdade, de ser alguém que faz o seu trabalho com verdade. não é um show artificial nem tampouco parece montado. ele fala pouco, não se preocupa em fazer tipo, em construir uma imagem de si que se pareça assim ou assado. ele me passa a impressão de ser assim como é. nem mais, nem menos. e, atualmente, poucas coisas me agradam mais do que ver verdade nas pessoas. seja ela um artista que admiro, um amigo ou alguém que acabei de conhecer.

“amor. a morte. a continuação.” aliterações que tocavam o ouvido e o coração.

no palco, ele tem vigor e a mim me pareceu que o rock pesado lhe cai muito bem. ele parece perfeitamente encontrado, algo mão-e-luva, goiabada-e-queijo, feitos-um-para-o-outro. embora seja um estilo que eu, definitivamente, não seja exatamente fã, rs.

[o figurino ~ foto por ethnocentrics]

de todo modo, sua poesia é linda e ele é alguém muito inspirador.

ou alguém discorda quando ouve “mas corro pra beira da praia, vejo a espuma brilhar. ouço o barulho bravio das ondas que batem na beira do mar”?

fiquei pensando que gostaria muito de ver a zélica duncan e o lenine num palco juntos. e qual não foi a minha surpresa quando, numa gugada básica, encontrei um vídeo amador onde o lenine fazia uma participação especial no show “pré-pós-tudo-bossa-band”? genial. gostaria de ter visto esta!

agora, o que me chateou foi ter que vê-lo agradecer à natura no meio do show etc. e tal. a natura já foi uma empresa de quem eu gostei muito. mas muito mesmo. e olha que quando eu gosto de alguma coisa vou até às últimas conseqüências. mas, com o tempo ela foi perdendo o brilho… era a tal da verdade que eu achava que estava faltando. não desacredito que eles façam lá a sua parte para um mundo melhor, mas duvido que seja assim tanto tanto tanto quanto eles alardeiam. e isso me chateia muito. não sou ingênua a ponto de achar que as empresas são boazinhas. claro que elas visam, prioritariamente, seu lucro, o que também não está errado. o que me chateia é quando elas começam a falar demais. quem muito fala…

pra não dizer que é uma antipatia gratuita, a gota d’água foi quando eles “atacaram” o meu blog do mundomiki com o chamado “marketing de guerrilha” (céus, odeio esse nome!). simplesmente, eles me “convidavam gentilmente” a fazer propaganda de graça para eles. grrrrrr.

enfim, é só um desabafo de alguém indignado… mas que eles ganhariam a minha admiração se não obrigassem o artista a fazer uma apologia ao seu patrocínio… estava escrito na cara do lenine que, se ele pudesse, pularia aquela parte. no entanto, ele foi bom moço, cumpridor de suas obrigações, mas seus braços cruzados não o deixaram esconder a sua contrariedade (eu gostei!).

lenine, vida longa a você e a sua arte linda e cheia de verdade!

[o cenário rústico ~ foto por ethnocentrics]

SERVIÇO
Lenine Labiata (ingressos esgotados, mas se você der sorte, encontra alguém vendendo na porta)
Sesc Pinheiros

14, 15 e 16.nov.2008
sáb às 21h dom às 18h

Rua Paes Lemes, 195
Pinheiros – São Paulo – SP – Brasil
[11] 3095-9400

R$ 7,50 a R$ 30,00

email@pinheiros.sescsp.org.br
http://www.sescsp.org.br
http://www.lenine.com.br/



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