minha melhor amiga e um bolo de cenoura


[foto por coca]

quando eu vim para são paulo para estudar (i.e. fazer faculdade), encontrei uma amiga maravilhosa, que me acolheu em sua casa e em seu coração. seu nome é erika, mas ela tem um apelido: kan.

eu, que vivia nômade em são paulo, pulando de pensionato em pensionato, de apartamento em apartamento, de muquifo em muquifo (ou quase), sempre tive pousada e guarida garantida em sua casa. até hoje a considero minha melhor amiga (desculpe se ofendo alguém aqui quando digo isso).

eram idos de 1991 e estudávamos juntas na poli. vocês conseguem imaginar eu engenheira? risos. pois é, nem eu. mas não me arrependo um pingo do tempo que passei por lá. mas isso é história para outro dia. voltemos à kan: não ficamos assim amigas de cara, mas não demorou muito para nos aproximarmos. todo mundo confundia a gente na escola. isso pra mim, durante muito tempo, foi motivo de graça e alegria. eu, filha única, gostava que me confundissem com ela e a tenho, desde há muito e até hoje, como minha irmã do coração. papai-do-céu foi muito generoso comigo e colocou em meu caminho irmãos maravilhosos como ela e o flavito, além de tantos outros amigos tão queridos e estimados. devo de ter sido uma menina muito da boazinha na encadernação passada para ele me mimar assim :)!

éramos tão parecidas que, às vezes, o pai dela ou a irmã nos confundia. risos. eventualmente até mesmo nós. olhávamos fotos de viagens e, franzindo o sobrolho, perguntávamos a quem estivesse perto: “nossa, mas não me lembro de ter ido a esse passeio!” até nos darmos conta de que era a outra que tinha ido, risos. omoshiroi!

ainda hoje, as pessoas, quando nos veem juntas pela primeira vez, não têm dúvidas de que somos irmãs. isso continua sendo uma enorme honra para mim.

embora o sentimento de amor persista, por esses tempos andamos um pouco afastadas, infelizmente. coisas da vida corrida de uma grande metrópole, muitos compromissos de vida diversos. mas o amor continua o mesmo, cristalino e límpido. só queria que você soubesse, querida irmã :).

bom, mas todo esse preâmbulo para contar que, nas muitas – e muitas e muitas e muitas e tantas que até perdi a conta – vezes em que me hospedei na casa dela (ou antes, na casa da mãe dela ;), filei bóia, dormi, tomei banho, estudei, brinquei com a tibi (a cachorrinha vira-lata tão linda que já virou estrelinha e hoje brinca junto com a safiri)… eu pude desfrutar de um bolo simples, mas sublime: o bolo de cenoura com calda de chocolate da d. cristina. em todos esses meus anos de cabeça-gordices, nunca houve um bolo de cenoura como o dela. às vezes, ela preparava uma assadeira só pra me fazer feliz <3. e então um dia, felicidade suprema, ela me deu a receyta. claro que eu, terrível que sou, fiz alterações. deixo aqui, a minha versão.

o segredo é você fazer o bolo numa forma pequena mas funda, para que ele cresça e fique bem alto. isso confere à massa umidade e faz também com que a calda possa penetrar em maior profundidade. puro deleite da simplicidade. pra quê bolos piruéticos quando você tem o bolo da d. cristina para o chá?

claro, os bolos piruéticos também têm a sua vez, mas esse é daqueles que falam ao coração e que, temo, estejam em extinção na maioria das casas por aí :’( infelizmente…


omoshiroi quer dizer “engraçado” em japonês
e encadernação é “encarnação” no léxico do mundomiki

6 Responses to “minha melhor amiga e um bolo de cenoura

  • Que história gostosa! Todo mundo quer ser tua menlhor amiga.amigo. Risos. Eu estou na fila.

  • ahhh, preta <3
    vc é muito phopha.
    acho que vou ter que criar umas categorias, rs!
    é que a kan é assim, praticamente uma amiga de infância, ela é uma irmã pra mim, talvez a irmã que eu não tive :').

    mas amigas como você, a karen e a akemi ocupam um lugar especial, muito especial no meu coração, viu?

    teamo, preta
    beijocas mil e abracinhos de cocada em vc,
    amor, m.

  • Oi Mi!
    Que foto e texto lindos! Senti uma coisa nostalgica mas boa demais! Beijos!

  • Oi Miki,

    lembrei da estória do “Omelete de Amoras”
    escrita pelo Walter Benjamin.

    é linda!

    beijo

    Mimo

    http://ocantinhodalena.com.br/textosreflexivos/tr03/tr03.htm

  • oi, tô!

    fico feliz que tenha gostado =^.^=
    eu queria botar uma foto mais antiga, mas e o tempo de procurar, escanear etc etc? acabei optando por essa que foi tirada já na ‘era digital’ e estava no computador, rs!

    bons tempos aqueles de saídas com a “turma” de vocês!

    parece que foi ontem, nem parece que já se passaram tantos anos!

    beijocas,
    m.

  • oi, adriana!

    seu apelido é mimo? que phöpho <3 <3 <3
    não sabia que esse texto era do benjamin! li uma versão dele dentro de um mangá e achei a história deliciosa, prosaica e aconchegante. não tinha a parte final da dispensa do cozinheiro e as personagens eram outras, mas o cerne da história, o mesmo.

    no fim, as coisas simples são sempre as mais encantadoras. acho que a graça está em conseguirmos manter nossos olhos e corações também simples. embora isso nos dias de hoje seja bastante difícil.

    merci por compartilhar a história, adorey!

    beijocas, m.

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