carneirolês

ô, matias…

acho que você não entendeu nada do final da minha última carta né?

afinal, “beijos de pai et” e “resperar” são palavras assim… enigmáticas… e eu te daria toda a razão se você tivesse ficado brabo comigo por eu soltar essas palavras assim e ir embora :D. mas é que… é que eu já tinha explicado tanta coisa na ôta carta que achei melhor deixar essas para depois… senão era muita explicativa junta…

só que pra conseguir explicar o que é “pai et” e “resperar”, eu vou ter que contar uma história antes. será que você gosta de ouvir histórias, matias? eu… espero que sim!

há alguns anos, eu encontrei o meu irmão gêmeo. eu nem sabia que tinha um irmão xêmeo perdido, mas assim que nós nos conhecemos, soubemos que havia algo que nos unia. só que não foi assim um “reconhecimento à primeira vista”, matias. foi mais assim como a raposa e o pequeno príncipe: “no primeiro dia, você se sentará assim mais longe e nós ficaremos nos observando. no segundo dia, você se sentará assim, um pouquinho mais perto. e no terceiro, mais perto ainda. até que chegará o dia em que teremos nos tornado amigos sem nem nos darmos conta disso.” e porque moramos longe um do outro, a gente se escreve muito. e às vezes, quando a conjunção do sol e das estrelas permite, passamos pequenas temporadas um na casa do outro.

nos descobrimos xêmeos porque percebemos que somos muito muito parecidos, matias! por exemplo, gostamos de enfeitar a casa com flores, de brincar de rhÿcos, de chorar e falar um com o outro quando estamos tristes e de morder aqueles a quem amamos (mas é uma mordidinha bem de leve pra não machucar…). descobri que ter um irmão – especialmente se ele for xêmeo – matias, é uma coisa muito boa! eu poderia te contar muitas coisas mais sobre a nossa gemicidade, mas receio que a carta ficasse longuíssima, então, outro dia eu te conto mais, combinado?

mas, então, como a gente se escreve muito (somos tagarelas…) e como gostamos igualmente de ÿnventar, criamos uma língua toda própria que chamamos de “carneirolês”. e “pai et” e “resperar” – como você já adivinhou – são verbetes do carneirolês. em poucas palavras, “pai et” é um jeito engraçadinho de dizer paetê. pai et veio da fala de uma menininha um pouco mais velha do que você. na época, ela devia de ter assim uns três aninhos. um dia ela foi ao armarinho com a mãe (que é amiga do flavito, meu irmão xêmeo) e disse que queria comprar “pai et”. nós achamos muito phöpho e decidimos que, em carneirolês, dizer que manda pra alguém “beijos de pai et” (da cor x ou y, assim ou assado) é um modo de dizer que é um beijo muito muito especial. o que eu mandei pra você na última carta era um “beijo de pai et de toicinhos-do-céu” porque eu queria que você fosse envolvido em nuvens de açúcar e afeto.

já “resperar”, é tipo esperar com muito anseio e alegria no coração por alguém. é como o esperar da raposa, quando ela sabe que o pequeno príncipe vai chegar às 4, então “desde às 3 eu já começo a ser feliz”.

gastei um bocado de papel só pra explicar essas duas coisinhas à toa, né, matias? mas é que eu queria que – assim como eu já falo de você com entusiasmo para os meus amigos – você fosse conhecendo as pessoas que são importantes na minha vida, pois assim parece que estamos ficando cada vez mais próximos!

e sabe o cardigã, matias? então, acontece que eu tinha tricotado uma manga inteirinha mas descobri que ela ficou pequena demais. acho que só serviriam três dedos seus naquela largura o.O daí que comecei a tricotar uma manga maior. parece que agora deu certo! já terminei a primeira e a segunda vai de vento em popa! pois agora que se aproxima o dia em que vamos nos encontrar, eu preciso me apressar! sua mãe disse que em breve poderemos nos ver pessoalmente e eu fiquei tão tão félix!

na verdade, eu mal posso esperar por esse dia, matias! olho para o céu através da janela do balcão do studio e sorrio, pensando no dia do nosso encontro!

beijos de pai et de chá de camomila em você
com amor,

miki

2 Responses to “carneirolês

  • Matias, eu amo a minha irmã e tenho certeza que você vai gostar muito dela. Eu nunca lhe vi, mas também já gosto um bocado de você. Lendo o blog dos seus pais me emocionei, passei a admirar o amor tão bonito deles por você e a vibrar com os seus dias. Quem sabe um dia a gente não brinca juntos? Somos meio doydos e a gente vai te ensinar a enfileirar os brinquedos assim um a um ao lado do outro. Tomara que você goste de brincar de organização.

    Um abraço de pai et de carneiro assim bem phoOpho pra te aquecer nos dias frios.
    Menino-Carneiro.

    Mikolina,
    eu só queria te dizer que nestes dias em que vivo em uma insana atribulação, quase à beira da loucura, passar por aqui e encontrar tamanha delicadeza e amor é como receber um abraço seu. é como se eu ganhasse um sopro de vida – leve, perfumado, doce.
    eu sou mesmo um privilegiado. ser seu xêmeo é uma alegria que celebro com flores e alegria todos os dias no meu coração. muito obrigado por estar sempre, sempre, sempre comigo. obrigado papai-do-céu pela minha irmã. obrigado

  • oi, luv!

    lágrimas correm aqui.
    sinto meu coração aquecido.
    tantas coisas, tanto que vivemos juntos
    tanto que dividimos
    tanto que somos inguais.
    que possamos seguir assim, xuntos, todos os dias das nossas vidas. estas e outras. aqui e do outro lado.

    merci papai-do-céu.
    merci <3

    teluv de pai et de balões que voam

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