era uma vez uma constelação de blogs

On March 29, 2013 by miki

há muitos e muitos anos, havia uma menina que se sentia muito sozinha e isolada. até algum tempo atrás, ela havia convivido com muitas e muitas pessoas, mas de repente, ela se viu bastante solitária. ela tentava se conformar, uma vez que aquilo havia sido uma escolha que ela mesma havia feito, mas lá no fundo, ela sentia muito a falta de ter com quem conversar. então, um belo dia, inspirada por uma amiga, ela ÿnventou de escrever um blog. logo esse blog virou dois, que viraram três e, a partir daí, eles se multiplicaram rapidamente. tão rapidamente que ela mesma – que adorava ÿnventar e por isso mesmo colocou em si a alcunha de “ÿnventora” – passou a chamá-los de “constelação de blogs”. acontece que ela era muito voluntariosa e só escrevia o que lhe dava na veneta e quando lhe dava na veneta. ela era fiel ao seu coração e só falava sobre aquilo que a tinha encantado ou tocado de alguma maneira. por isso, cada blog não tinha tantos posts assim.

o tempo passou, a menina foi fazendo amigos através de sua constelação e os blogs – alguns mais outros menos – foram ficando gordinhos. hoje, olhando em retrospecto, ela sabe que aquilo foi o meio que encontrou para não se sentir tão sozinha. seus blogs foram as suas janelas para o mundo e através deles ela pôde sobreviver e entender e aceitar a solidão em seu coração. hoje, ela ainda se sente só, mas sente igualmente que é capaz de lidar melhor com isso. talvez ela tenha crescido.

bom, como vocês já adivinharam, essa menina sou eu.

depois de uma temporada blogando furiosamente, eu parei. e os pobres dos blogs ficaram abandonados, secos e sentidos, esperando, quem sabe, o retorno de sua dona. nesse meio tempo, muita coysa aconteceu, como eu já partilhei aqui. foi uma caminhada necessária e muito embora eu tenha me sentido bastante confusa e perdida enquanto a fazia, hoje vejo que tudo era necessário para que eu pudesse chegar até aquy.

há dois anos e pouco, tomei a decisão de reformular a minha constelação. essa ideia já me atiçava aquy e ali, mas eu já sabia que seria uma trabalheira, então fui postergando. quando finalmente comecei, espalhei todo o conteúdo que tinha pelo chão e comecei a organizá-lo de uma maneira nova. se no começo, inspirada pela minha profissão anterior (de diretora de arte, de web designer, de arquiteta de informação, de especialista em usabilidade – títulos esses que para alguns podem parecer apenas palavrões), eu quis fazer um blog para cada assunto que me interessava, naquele momento, aquela divisão já não parecia mais fazer sentido. era porque eu já começava a entender que tudo o que eu tinha feito até então era parte do meu eu-artista e que cada projeto ou objeto gestado – por mais díspar que pudesse parecer – eram diferentes formas da minha manifestação artística.

tudo correria bem se o legado não fosse tão grande e a tecnologia cumprisse o que prometesse (se por um lado, eu fico feliz e orgulhosa em perceber quanto conteúdo produzi, por outro, rearranjar todo esse conteúdo demandou muitas e muitas horas de trabalho). é claro que, sabendo da minha natureza, eu larguei o projeto pelo meio algumas vezes. e entre largar e retomar, eu vi que a organização que havia feito já não refletia o meu momento de vida, uma vez que quanto mais eu avançava para o tempo presente, mais claro ia se tornando para mim que eu era artista e que cada uma das empreitadas que fizera até então eram partes do meu eu-artístico se manifestando, experimentando.

finalmente em meados do ano passado, eu me propus firmemente a finalizar esse projeto. não apenas porque, há algum tempo, eu tenho me esforçado de verdade para não começar algo e largar pelo meio (fazia isso muito e me frustrava enormemente, hoje faço menos), mas também porque minha vida online estava vergonhosa. ainda mais para alguém que trabalhou por tantos anos com internet kkk. é aquele velho ditado: “casa de ferreiro, espeto… de prástico” (nem é de pau, é de prástico, tal o estado decadente e abandonado dos meus blogs e afins).

eu havia colocado um último prazo para 25 de março, que, obviamente, eu não cumpri. também ia escapulir de lançar meus novos blogs redesenhados logo no pós-páscoa, mas cá estou eu, trabalhando em pleno feriado para não deixar essa data escorregar das minhas mãos. eu gostey da ideia de que essa parte tão importante da minha vida possa “renascer das cinzas” justamente nessa época, já que a páscoa – antes de ser só a data de se empanturrar de chocolate e bacalhau – deveria nos trazer para o silêncio interior, para a reflexão e para a celebração do renascimento: não só de jesus (porque talvez muitas pessoas nem partilhem desse fato), mas de algo mais abrangente: renascimento da esperança, renovação de uma maneira de pensar que desconfiamos que não seja exatamente boa, lembrar de alguém importante que passou por nossa vida e com quem já não temos mais tanto contato. para mim, tudo isso tem a ver com páscoa. lembrando desse sentido tão esquecido, pensey que não poderia deixar essa data escapar de meus dedos mais uma vez.

evoé, minha fênix, desejo a você vida longa e lynda!

ou, como a vida é transitoriedade, parodio o “poetinha”: “que seja infinito enquanto dure!”

amor, m.


pintura da autora
cymorgue
da série “o jardim de pavões”
jan.2010
grafite, aquarela, caneta metálica s/ canson creme
21 x 29,7 cm
coleção de maurício oliveira e laura guedes oliveira


8 Responses to “era uma vez uma constelação de blogs”

  • Mi, que orgulho de você!
    Pelo trabalho de organização do conteúdo, pela estética do site e, principalmente, pela coragem de compartilhar suas experiências e anseios com o mundo.
    Te desejo tudo de muito muito bom!
    Bjs.

  • Miki,
    tô me sentindo na biblioteca de Babel do Borges (elogio máximo no meu universo pessoal). Quanto mais eu mexo, mais coisa linda aparece. E ainda é um prazer rever coisas que estavam espalhadas nos blogs. Cansei só de imaginar o que foi essa arquitetura toda nova que você criou… e o visual tá lindo. Beijão.

  • Que honra (e que responsabilidade) ser quem te inspirou a começar com os blogs… rs

    Um brinde a seu retorno!

  • Miki-san,

    Que gostoso que é o mundo dos blogs, outro dia perguntava: por onde vc andará? Bom ter voltado e poder te acompanhar, estarei aqui com certeza.
    Beijinhos

  • querida dindi,

    eu é quem me sinto honrada em ter leitores como você por aquy! por que, de que adiantaria eu querer dividir coysas com o mundo se ninguém os lesse?

    merci por estar sempre comigo, pelas nossas conversas, por podermos dividir alegrias e tristezas. nossa amizade significa muito para mim e estou imensamente feliz que nossos caminhos puderam se estreitar novamente. te admiro muito, amiga!

    beijos no coração,
    m.

  • querida ana,

    fiquei toda toda com o seu elogio! e uma felicidade imensa em poder compartilhar um pouco do meu universo com você e ter essa reciprocidade :). saiba que o bijoux bliss também é colírio para os meus olhos, música para os meus ouvidos, um orgulho!

    nem dá pra imaginar como é que nossas almas de artistas puderam viver tantos anos dentro dos escritórios, não é mesmo? não que eu tenha odiado completamente, pelo contrário, foi muito bom pois aprendi muitas e muitas e importantes coisas que eu nunca teria tido oportunidade de aprender se tivesse começado artista desde sempre ;). sem falar nos amigos que fiz – como vc – por exemplo!

    que a minha pequena babel possa te encantar, assim como o seu bijoux me bliss-eia.

    amor, m.

  • querida karen,

    vc será sempre, sempre, minha musa inspiradora!
    espero que vc possa ter algum orgulho da sua ‘pupila’ rs!

    além do mais, ganhei uma amiga incrível!

    beijos em vc,
    m.

  • oi, madoka!

    pois é, sumi né? rs
    mas agora eu voltei e espero que o meu pequeno mundo possa te encantar!
    benvinda ao meu novo bloguito
    bjs, m.

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