dentro do mar tem rio

On November 12, 2006 by miki

Maria Bethânia é uma das cantoras por quem eu tenho uma admiração enorme e o principal motivo é porque ela sempre conduziu sua própria carreira com pulso firme e determinação, não se rendendo a modismos e construindo seu trabalho da maneira que ela acreditava que devia ser.

Imagine, então, a minha felicidade em poder assistir à estréia de seu novo show “Dentro do mar tem rio”!

Nilson, tks por esse presente maravilhoso!


Ver Maria Bethânia no palco é sempre bom. Desta vez, era a noite de estréia de seu novo show “Dentro do Mar tem Rio” no Tom Brasil. Ficamos no camarote, lugar ótimo para ver a movimentação no palco, cenário e iluminação. E, com os binóculos do Pava, dava para ver todos os detalhes :-).


Da primeira vez que vi Bethânia no palco (no show Maricotinha que vi várias vezes), não fiquei tão impressionada, acho que porque eu sempre ouvira que ela enchia o palco, que era uma coisa etc. etc. Claro que gostei, mas acho que minha expectativa era de que ela meio que transcendesse o objeto show-palco-espetáculo em si.

Depois do Maricotinha, vi o bárbaro “Brasileirinho” no mesmo Tom Brasil. Ali, o maravilhamento antecipado já tinha passado e pude sorver muito mais cada segundo de Maria Bethânia. Foi um show lindo, lindo, lindo. Tudo era impecável, mas o cenário me encantou muito. Era de Bia Lessa e tinha movimento, cenas ora mostradas, ora veladas, luzes que dançavam, uma pintura com índios enorme na parede do fundo. Chapei.

Eu ainda não tinha ouvido os CDs, nem lido nada à respeito desse novo trabalho. E, mais uma vez, foi um show maravilhoso. O cenário, novamente assinado por Bia Lessa era absolutamente expressivo e era perfeito em seu papel de receptáculo para o acontecimento. Vagas sugeridas, nuvens em borrões imensos como pano de fundo que, em conjunto com o trabalho de iluminação, criava inúmeras possibilidades de céu para o navegante: uma borrasca, um entardecer, um dia bonito… um jardim de folhas metálicas ora era um coral, ora o alto-mar com as luzes cintilando sobre ele, ora algas marinhas… pequeníssimas e estreitas pontes de madeira permitiam toda a performance cheia de criatividade que Maria Bethânia gosta de fazer no palco. Peixes, árvore, remador e ondas pontilhadas formadas por pequenas luzes vermelhas apareciam e desapareciam alegremente por sobre as nuvens magnânimas. E, para arrematar, muitas tiras de voal dançavam por sobre o pano de fundo, imprimindo movimento, graça e beleza. BIA LESSA FOREVIS!

Num ritmo bem conduzido, escudada por uma banca impecável e ainda o inseparável maestro Jaime Alem, Maria Bethânia conduziu o público show afora entre balanços gostosos, músicas tristíssimas, euforia e poesia com a elegância e perfeição que só quem tem a intimidade com o palco que ela tem poderia fazer.

Na seleção musical, um pouco de tudo, claro que com a estrela-guia de canções do mar de hoje e de ontem dando o fio condutor do espetáculo. Novas canções e canções antiqüíssimas de seu repertório desfilaram igualmente belas em sua voz única e maravilhosa mesmo com muitos e bem vividos anos de vida! Ela passeou segura e fez bonito incursionando por diversos estilos desde modas de viola até rap com sotaque ferreira-gullar-e-heitor-villa-lobos-em-o-trenzinho-do-caipira!

Adorei os arranjos das canções, mas eu sou suspeita né, porque sou fã do Jaime Alem. Acho um luxo ela ter um maestro que acompanha seu trabalho e um dos motivos da minha enorme admiração por Bethânia é a reverência que ela revela em shows por ele e também por seus músicos. JAIME ALEM FOREVIS!

Um dos momentos especiais, para mim, foi quando ela subiu em uma das “pontezinhas” e se transformou, em minha leitura, em uma carranca de proa de navio com sua longa cabeleira dançando ao vento. Fantástico.

Acho que a única coisa de que não gostei foi o segundo figurino que ela usou (o primeiro era bárbaro!), a saia imaculadamente branca trabalhada em bordado com pequenos brilhos era linda, mas a calça sob a saia… não gostei.

Numa das muitas músicas que eu não sei o nome, ela canta sobre a heroína da canção: “De onde ela é?” e faz uma pausa, enquanto permanece imóvel iluminada pelo foco de luz.

De onde ela é? É claro que ela é de Santo Amaro da Purificação. BETHÂNIA FOREVIS!


14 Responses to “dentro do mar tem rio”

  • Uau! Que delícia que deve ter sido este show!!!!

  • so vc para fazer estes comentarios. Li a critica hoje no estadao e lembrei de vc. O conteudo nem se compara com a riqueza de suas observacoes.

    Mil beijos saudosos,

    ro

  • akemi, foi um desbunde! nada menos q isso! (bom, eu sou suspeita, sou super-hiper-mega fã da bethânia)!
    bjs, miki

  • ro minha querida!
    tenho tanta tanta tanta saudade de vc!
    vamos marcar um torde?
    bjs, miki

  • MikitA, adorei! Vc relatou como uma maestrina das palavras. O dia que o teco sair férias é aqui que vou me deliciar em lembrar. Linda composição da narração com os desenhos! :) assino em baixo de tudo que disse! (tirando os show anteriores que não conheço) E sabe, tb fiquei me questionando sobre aquela calça por baixo da saia….acho que era algo supersticioso.. bjos de coração! :) Èrica

  • periquita, vc é muito fofa!
    tudo de melhor pra vc, viu!
    te gosto muito bjs, miki

  • Olha eu estou morrendo de ciume por ainda nem ter esperança de ver o show!!! sabe é que estou lhe escrevendo de Lisboa, sim Lisboa, Portugal. Andava na caça de fotos do show e encontrei a sua prosa ma-ra-vi-lho-sa … e eu que digo que amo Maria Bethânia, vc falou bem demais. Um beijo bem grande

  • olá! que bom que gostou! a bethânia está na minha lista top 10, ela é o máximo!

    bem, nunca é a mesma coisa, mas tenho certeza de que ela lançará o dvd deste show. pelo menos, dá para conhecer o trabalho!

    um beijo,
    miki

  • Ah, A “calça sob a saia” …. quase ninguém entendeu….eu pensei, quando a vi entrando assim, na 2ª parte do show, que isto (de não “entender” fosse acontecer mesmo!) Mas vejam: prá compreender isto, é preciso ser “do interior” como eu….Achei até comum e familiar o figurino. Beijos a todos daqui. Com carinho, Tarcísio. Brasópolis, M.G.

  • é, tarcísio? isso é uma novidade para mim, me conte se puder!
    abraços, miki

  • Querida Miki,

    Acompanho voce de longe. Conheci seu trabalho por causa das fotos do Renato Targa e blog da Ana Carmen, na epoca do Cozinha Cultural. Depois acompanhei o Alice Wannabe com olhos d’agua, de longe. Que criatividade, sensibilidade e delicadeza. Quanta poesia nas linhas de Miki. Tantas perguntas bonitas e observacoes inteligentes. Sempre que posso, exploro um blog do mundo Miki. Hoje estive aqui e quis escrever, levada pela surpresa e o carinho.

    Um beijo, Patricia

  • olá, patrícia!

    nossa, quanta honra! meus olhos estão cheios d’água com seu comentário generoso e sensível.

    o trabalho do artista é algo tão solitário e a constelação de blogs veio num momento de angústia absurda pela falta que me faz poder estar com pessoas e trocar idéias, jogar conversa fora, dar risada…

    vc não sabe como suas palavras me deixam felizes. muito embora eu não blogue com a freqüência que gostaria, tudo o q de fato é postado carrega, não poucas vezes, muita emoção porque, de alguma maneira, me tocou, me contou alguma coisa, foi parte importante do meu caminho…

    seja muitíssimo bem-vinda, querida!

    fiquei profundamente tocada com a delicadeza das suas palavras e eu é quem agradeço a oportunidade de troca.

    um beijo,

    miki

  • eu queria ter ido com você
    Bethânia é mesmo rainha.

    beijos nativos

  • majestade pura, meu amor!
    tb queria ir de braço dado com vc :)
    a gente ia se divertir e se maravilhar, não é mesmo?

    bjs, mikota

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