Chico forevis!

On September 10, 2006 by miki

Chegou o grande dia! Dia de ir ver o Chico. Depois de esperar por 7 anos para o danado voltar aos palcos, a expectativa era grande.

Claro que eu comprei ingresso pra primeira fila. Show, pra mim, se for de alguém que eu sou fã, tem que ser na primeira fila :-) -> sim, eu sou terrível.

Primeiro ponto positivo, o show começou com muito pouco tempo de atraso (15 minutos) e nossos companheiros de mesa eram bastante agradáveis. Ruim mesmo é o aperto das mesas no Tom Brasil. A cada show que vou lá, aumenta a minha sensação de que eu não gosto daquela casa. Preferia a outra, menorzinha, mais intimista, uma acústica melhor, sem problemas de tumulto ao final dos shows… O desconforto das acomodações é algo gritante… E, ainda por cima, ficamos com a nítida impressão que, na última hora, colocaram uma mesa que não existia na frente da nossa, ou seja, fomos “shiftados” para o lado…

Cenário despojado, bem limpo de Hélio Eichbauer. Funciona, mas, sem querer ser chata, acho um pouco “mais do mesmo”. Essencialmente, são as mesmas soluções “calderísticas” utilizadas já em shows de Caetano Veloso (Livro Vivo) e Adriana Calcanhotto (Público). Não é ruim, mas acho um repeteco e Chico merecia mais do que isso. A iluminação achei apenas ok. Não consegui identificar um trabalho de luz, Maneco Quinderé que me perdoe… O figurino (de Marcelo Pies) é funcional, funde-se com o cenário e as luzes e tem tudo a ver com a personalidade intimista de Chico.

Os 7 músicos (Bia Paes Leme: teclado e vocais, Chico Batera: percussão, Wilson das Neves: bateria, Luiz Claudio Ramos: arranjador, produção musical e maestro, Jorge Helder: cordas, Marcelo Bernardes: sopros e João Rebouças: piano) que acompanham Chico são bárbaros e uma coisa de que gosto é que todos estão com ele desde seu último trabalho e alguns (como Chico Batera) são companheiros de longa data. Infelizmente, não conheço tanto assim para dizer mais sobre isso.

Chico é sempre Chico e um show dele é um acontecimento para ser sorvido, aproveitado mansamente em cada pequeno acorde. Apesar de ele falar que não gosta dos palcos, que não se sente à vontade e de se achar em outro extremo ao se comparar com Maria Bethânia que adora os palcos, é fato que é um lugar que ele domina. Ele não precisa ser simpático, nem falar com a platéia, nada disso. Quando ele está lá e canta, isso é tudo e basta. Mesmo que ele erre (sim, ele errou algumas vezes durante o show, mas isso só mostra que ele é, afinal de contas, um ser humano com todas as implicações que isso tem).

O repertório foi bastante balanceado com as canções novas (que eu não conhecia em sua maior parte) e as de outros tempos, numa mescla de “sucessões” e outras nem tão conhecidas. As canções de que mais gostei foram “Eu te amo” (Chico Buarque/Tom Jobim), “Quem te viu, quem te vê” (Chico Buarque), “Deixa a menina” (Chico Buarque), “Bye, bye Brasil” (Chico Buarque/Roberto Menescal), “Futuros amantes” (Chico Buarque), “As vitrines” (Chico Buarque), “Morro dois irmãos” (Chico Buarque), “Ela é dançarina” (Chico Buarque).

Novidade pra mim, foi “Morro dois irmãos”, a única versão que eu conhecia era do disco “A Fábrica do Poema” da Adriana Calcanhoto (ainda sem dois “tes” – rs). Muito bom ouvir na voz de seu compositor, mas cabe dizer que a versão da Adriana não deixou nada a dever.

Bom, o balanço final é que eu sorvi cada minuto do show. Mas, sinceramente, não fiquei com vontade de ver de novo, como sempre acontece com shows de artistas que eu amo. Acho que o que mais contribuiu para isso foi a atmosfera de histeria que pairava por ali… Olha, eu sou fã, muito fã, mega fã do Chico. Mas muitas das mulheres que estavam ali pareciam meio “possuídas”, de verdade, pairava um clima de quase loucura, de devoção fanática, de “se eu pudesse, levava um pedaço desse homem pra casa”, sei lá, algo que me incomodou. Fiquei imaginando, com um pouco de tristeza, que não deve ser fácil ser artista e ser colocado assim num pedestal dessa maneira. Não me admira que muitos sejam grosseiros no trato com os fãs…

O primeiro show que eu assisti do Chico (da turnê anterior, “As cidades”) me tocou muito mais. Eu estava em um lugar pior, mas tudo me pareceu menos idolatrado, acho que havia mais respeito com o artista. A mim, me pareceu que, ao pisar no palco, ele o preenchia incrivelmente, de uma maneira quase mágica e que ele não precisava fazer mais nada, apenas cantar.

Mas sabe o que é bom? Que ao sorrir, tudo se desanuviava e seu sorriso parecia verdadeiro e que ele era apenas o homem Chico.

SERVIÇO
Chico Buarque Carioca
Tom Brasil

30.ago.2006 a 15.out.2006
5a às 21h30 6a e sáb às 22h dom às 19h

Rua Bragança Paulista, 1.281
Chácara Santo Antônio – São Paulo – SP – Brasil
[11] 2163-2000

R$ 80 a R$ 160

http://www.casatombrasil.com.br/


Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *