Calder na Pinacoteca

On October 12, 2006 by miki

Alexander Calder, um americano da Filadélfia, foi um grande artista. Hoje, o popularizado móbile virou um objeto banal, encontrado desde feirinhas populares até grandes lojas especializadas em decoração. Mas, talvez o que poucos saibam é que foi esse inventor maravilhoso quem criou essas peças de uma leveza ímpar, com movimento e suavidade.

Sandy, como era conhecido pelos amigos, trabalhava principalmente com metais: chapas, arames, sucatas. E andava sempre com um alicate no bolso de trás da calça, o qual ele sacava a todo momento e de onde surgiam objetos inesperados como uma jóia ou um perfil de um amigo.

Aproveite que a Pinacoteca está com uma expo deste mestre. Mas, corra, pois acaba neste domingo ;-)!


Depois que a Kiki virou mãe exemplar e não depende mais tanto de mim e posto que – ou era agora ou era nunca – a expo do Calder acaba neste domingo, pus a mochila nas costas e rumei para a Pinacoteca.

Fazia muito tempo que eu não ia lá e nunca tinha ido de metrô. Fiquei feliz em usar transporte público para fazer meu programa.

Fiquei um pouquinho decepcionada. Acho que isso porque eu já sabia que a expo não era grande, pois, se eu não soubesse, com certeza teria ficado muito decepcionada. Claro que eu fui com a expectativa de admirar ao vivo, a alguns palmos de meu nariz seus maravilhosos móbiles. Afinal, ele inventou esse objeto. Incrível pensar que, antes dele, não havia esses objetos suspensos que dançavam no ar.

Os (poucos) móbiles não decepcionam: já na primeira sala, a montagem está impecável, com três móbiles ocupando um grande vão, com um pé direito alto. Há dois ventiladores para auxiliar o movimento das peças. Muito bonito.

Na segunda e terceira salas, nada que chamasse a atenção demasiadamente. Fotos e registros de exposições que ele fez no Brasil anteriormente (por exemplo no Masp e Rio de Janeiro), alguns estábiles de pequeno porte, pinturas com forte influência mirosística, desenhos de amigos…

Na quarta sala, um dos móbiles de que eu mais gostei da expo: “Lufada de neve” com muitos círculos pintados de branco das mais variadas dimensões. O movimento suave é muito apaziguador, eu encostei na parede e fiquei observando a peça se mexer por vários minutos. Muito bonita e delicada. Acho que “23 flocos de neve” (abaixo) é da mesma família…

[vinte e três flocos de neve, 1975 | stábile-móbile, folha de metal, vareta de metal, arame | 118 x 134,6 cm | coleção particular | cortesia da waddington gallery, londres]

Mas o mais impressionante ficou guardado para a última sala: “Viúva negra”, móbile doado por ele mesmo para o Instituto de Arquitetos do Brasil (acho que é esse o nome). O mais incrível nesse móbile é que ele se divide em dois “cachos”: um muito comprido, com várias peças que vão se prendendo à imediatamente anterior e outro com apenas uma peça. Os cachos, embora de tamanhos e proporções tão díspares, equilibram-se. A montagem dessa sala, em especial, é muito bonita, pois tem uma iluminação dramática que permite ver as sombras que cada componente do móbile desenha ao se movimentar.

Um adendo interessante é a série de 4 vídeos sobre a obra de Calder que fica passando ininterruptamente. Eu estava particularmente interessada no vídeo do circo, uma obra que eu adoro. Li que ele fazia exibições do circo manipulando as personabens para seletas platéias, que delícia!

[cirque calder | 1926-1930 | materiais mistos | dimensões variáveis | nova iorque, the whitney museum of american art | adquirido com fundos de uma campanha pública de recolha de fundos em maio de 1982]

Aproveitei e dei uma volta na Pinacoteca. Várias outras exposições estavam acontecendo: Klaus Mittledorf (bonita!), Regina Silveira (estranha), esculturas francesas, Almeida Jr., além de obras do acervo. Eu amo o átrio que deixa passar luz natural bem no centro da Pinacoteca. A primeira vez que pude ver esse espaço foi na expo do Rodin, e fiquei encantada. Fiquei feliz em ver uma escultura do Brecheret (que eu amo!) de uma moça carregando uma ânfora de perfume (enoooorme), maravilhosa. E outras esculturas da exposição de esculturas francesas. Confesso que vi tudo bem rapidamente, pois precisava voltar logo para casa.

Antes de ir, passei pela cafeteria, que é muito bonita, os vidros pintados à moda antiga, com mesinhas em um terraço que dá para o Parque da Luz. Parecia perfeito, não? Mas achei o serviço ruim, o pão de queijo estava péssimo, com o fundo queimado e os pombos são os companheiros indesejados para quem senta nas belas mesinhas do terraço… Enfim, agora já sei.

Serviço
Calder no Brasil
Pinacoteca do Estado de São Paulo

26.ago.2006 a 15.out.2006 [ter a dom | 10h às 18h]
entrada: R$ 4,00. aos sábados, entrada gratuita.
Praça da Luz, 02 – Luz – São Paulo – SP (próximo ao metrô Luz)
[11] 3229-9844 | [11] 3313-4396

Para desfrutar
Calder
Jacob Baal-Teshuva
ed. Taschen


Este post tem a intenção de disseminar a exposição Calder no Brasil, o trabalho da Pinacoteca do Estado de São Paulo e o livro de Jacob Baal-Teshuva (de onde foram retiradas todas as imagens que ilustram este post). Todos os direitos são reservados aos seus respectivos proprietários.


4 Responses to “Calder na Pinacoteca”

  • ai que delícia estes programas! Coisas que só Sampa tem!

  • hehehe, não é, akemi? o bacana é que programa pra todos os gostos e bolsos!
    bjs, miki

  • legal saber que tem blog falando assim. a luciana terceiro me passou. estou afim de fazer um assim também.
    XTO

  • xto, q bom q vc gostou! quando fizer o seu, não deixe de me avisar!
    [ ]s
    miki
    ps – gostei das suas ilustracoes! vc trabalha com a lu?

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