Archives for posts with tag: o mar


 
dedicatória: para f.

caminhou
olhou no rebordo do poço
e lá dentro, embaixo, viu
não o seu reflexo Read the rest of this entry »


 
“E então, Éolo enlaçou a ninfa nos braços e voou para longe com ela… Cruzaram os ares, descobrindo novos horizontes azuis… O vento batia nos cabelos levemente cacheados e intensamente negros da bela deusa…”
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[…]

E é isso, eu não sei por que, eu não sei como, mas o Mar é muito importante na minha vida… É algo que me deslumbra, completa e fascina. É algo mágico que me envolve e absorve todas as minhas atenções, de modo que eu seria capaz de passar longos e longos, infinitos tempos a fitá-lo, estaticamente muda sem que sequer me cansasse. Não sei como, não sei por que…

[…]

24.iv.1991

O tempo voara… Quando dera por conta, os ventos fustigantes do inverno já varriam as ruas da cidade, carregando consigo folhas secas da estação passada.

O dia se fez cinza e uma tristeza enorme envadiu o ser. Talvez fosse uma crise existencial, talvez fosse uma crise de identidade… […]
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[…]

Sentia o calor do sol penetrar os poros da pele. Sentia a chuva chovendo dentro da alma. E às lágrimas se misturavam gotas de chuva. Chuva que era um pouco de mar. Nuvens que boiavam sobre o oceano e foram trazidas pelos ventos andarilhos. Meu corpo jazia inerte nas areias à beira-mar. A chuva oceânica me trouxera ao mar. Não sabia como, mas estava lá. E ainda ouvia as vozes das sete Valquírias. Elas cantavam coisas incompreensíveis, não entendia as palavras, não entendia o que queriam dizer. Estranhos pensamentos, estranhos sentimentos. Não sabia, não via. Sentia. O sol. O mar. O céu. Estrelas cadentes, brilhantes, incessantes. Não via. Sentia. E as Valquírias continuavam em sua dança desvairada, em sua dança mística e incompreensível. Não lembro mais nada. Não sinto, não vejo. Ouço apenas um uníssono de sete vozes que diz: “Não desça os degraus do sonho, para não despertar os monstros.”

28.iii.91


 
Por entre a brisa fresca e pálida luz da manhã… Seus fios loiros remexiam com o vento. Seu corpo jazia inerte à beira-mar… Saudade, saudade, saudade… Seus olhos fechados, seu corpo jogado… O corpo dourado, cor de sol, brisa de Mar, cheiro de conchas, que trazia a nostalgia de velhos tempos, recordações de um tempo passado, longínqüo, remoto.

A chuva chovia molhando meu rosto, meu corpo, minha alma, meus olhos… A chuva chovia como também os meus olhos ao ver todo aquele corpo de ouro morto, acabado, findo, terminado…

14.ii.91