ontem na estrada
triste e acabrunhada
magoada e infeliz
vi a lua correndo por entre as árvores
foi a coisa mais bonita
a lua redonda, cheia e grávida
plena e segura de si
corria feliz
cortando céus, estrada, árvores, matas, verdes, pretos
e corações magoados

lembrei “da menina que fui um dia”
dos passeios para a casa da obatchan
do meu pai dirigindo o velho opala
opala – nome tão bonito

pensando agora posso até quase sentir o cheiro que vinha do automóvel
eu sempre enjoava
mas adorava olhar a lua a brincar na janela
e as estrelas
e os postos
e os sorvetes de cereja
e o roda-roda
e as mexericas de goma

infância deliciosa e inesquecível

hojé é dia dos pais
e eu tenho saudades do meu
ele está longe e eu não vou vê-lo
mas o guardo em meu coração
apesar de tudo