nos teus olhos eu mergulhei para buscar respostas… depois de tanto tempo, reencontramo-nos. e eu, olhando fixamente para você, mergulhei nos teus olhos, e, por um momento, nada, nada mais importava, nem o que se fazia ou dizia e nem quem estava a nossa volta…

eu mergulhei nos teus olhos e nos encontramos em um dia do passado… você me deu as mãos, sorrimos um sorriso claro, livre de qualquer maldade ou impureza que pudessem, porventura, querer impregná-lo, e seguimos por aquela estrada ensolarada que um dia deixamos para trás e eu cria nunca mais volver a ela… mas eis que o destino nos prega peças e cá estamos nós, sós a caminhar do mesmo ponto onde havíamos parado anos atrás…

caminho a teu lado, serena, nada a me perturbar… aprecio a paisagem e apenas me deleito com o prazer da tua companhia… estranhamente, as minhas preocupações não tangem o amanhã ou outras pessoas que fazem parte da minha vida. absolutamente tranqüila eu sigo a teu lado, como se nunca houvesse havido um depois que desviou nossos caminhos.

vejo se aproximar uma luz que cintila… não tenho medo como outrora. o clarão se torna maior e mais intenso e nem por isso deixamos de seguir em frente…

de repente, tudo se faz claro, límpido, de uma nitidez estonteante… e eu entendo que é chegada a hora…

eu me vejo a mim mesma caminhando no sentido oposto enquanto você é envolvido pelo clarão. meu andar cadenciado não é mais rápido que antes, nem meu coração está aflito como outrora ficaria.

com serenidade, eu caminho de volta, sem saber bem para onde seria a volta. sinto uma enlevação encher minha alma e num rompante me vejo novamente frente a teus olhos… não entendo bem o que aconteceu e franzo o sobrolho tentando discernir o sonho da realidade.

as pessoas a nossa estão embaladas em um papo animado e não dão mostra de que algo anormal tenha acontecido… nem consigo precisar se você entrou ou não comigo no caminho…

marcela ribeiro
17.out.2001