Do amor, por amor, para o amor, com amor, amor, amor, amor… E o que era Amor? Dezenos anos eram passados sem que soubesse como definir algo que parecia ser tão simples…

Amor… sentimento confuso, estranho, indecifrável… Amor…

[…]

Amor seria um sentimento assim meio parecido com o Mar? Algo que fosse e voltasse sem nunca se cansar, algo que permanecesse rico e fiel para toda uma eternidade? Ou talvez fosse eterno como as chamas de um fogareiro, que aquece num calor morno e brando, porém constante…

Penetrando em corações endurecidos, quase pedra… infiltrando-se e abrindo um caminho devagar, com paciência e compreensão, tomando conta pouco-a-pouco, irrigando a pedra bruta, deixando-a, a cada dia vivido, mais e mais vulnerável aos sentimentos…

Uma forma de vidro, de uma cor indissolúvel e um perfume irresistível… um olhar, um sorriso, um meneio de cabeça, um gesto, um toque… e o coração a bailar debaixo de uma tênue luz noturna…

Difícil falar em Amor, quando nada se sabe sobre ele… Difícil arranjar palavras que exprimam o sentimento latente, a sensação ausente… Difícil prever gestos… Difícil definir, difícil modelar…

O Amor é assim uma situação inusitada, uma experiência alucinante, algo como um vôo pelas estrelas… um sonho irrealizável realizado, uma impossibilidade que, de repente, torna-se palpável…

O Amor é um um Mar cheio de estrelas e também um céu cravado delas. São dois olhos que ardem em chamas e fitam, fitam, fitam o infinito, fitam outros olhos…

22.vii.1991

Uma parte de mim é multidão
Outra parte estranheza e solidão
Uma parte de mim é permanente
Outra parte se sabe de repente.
[Ferreira Gullar]