Archives for category: fragmentos

mas chega um dia em que tudo se acaba assim de repente… e não era por isso que o sol deixaria de brilhar. E não era por isso que o Mar deixaria de existir. O que era paixão, viu-se transmutado em Amizade. O que eram corpos ardentes, foi transformado em carinho fraterno. E o que eram palavras dúbias viraram palavras sóbrias. E onde antes havia confidências, só restou um entendimento mútuo e singelo. Não sabia mais o que pensar, não sabia mais como agir… Tudo era confuso e palavras eram, infelizmente, nada mais que palavras…
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E é isso, eu não sei por que, eu não sei como, mas o Mar é muito importante na minha vida… É algo que me deslumbra, completa e fascina. É algo mágico que me envolve e absorve todas as minhas atenções, de modo que eu seria capaz de passar longos e longos, infinitos tempos a fitá-lo, estaticamente muda sem que sequer me cansasse. Não sei como, não sei por que…

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24.iv.1991

O tempo voara… Quando dera por conta, os ventos fustigantes do inverno já varriam as ruas da cidade, carregando consigo folhas secas da estação passada.

O dia se fez cinza e uma tristeza enorme envadiu o ser. Talvez fosse uma crise existencial, talvez fosse uma crise de identidade… […]
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Mas, um coração, quando se apaixona, não acredita ou finge não acreditar, nunca, em palavras ou atos que não lhe agradem. O coração apaixonado tem sempre uma vã esperança de alcançar seus objetivos mais sinceros.

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16.iv.1991

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Sentia o calor do sol penetrar os poros da pele. Sentia a chuva chovendo dentro da alma. E às lágrimas se misturavam gotas de chuva. Chuva que era um pouco de mar. Nuvens que boiavam sobre o oceano e foram trazidas pelos ventos andarilhos. Meu corpo jazia inerte nas areias à beira-mar. A chuva oceânica me trouxera ao mar. Não sabia como, mas estava lá. E ainda ouvia as vozes das sete Valquírias. Elas cantavam coisas incompreensíveis, não entendia as palavras, não entendia o que queriam dizer. Estranhos pensamentos, estranhos sentimentos. Não sabia, não via. Sentia. O sol. O mar. O céu. Estrelas cadentes, brilhantes, incessantes. Não via. Sentia. E as Valquírias continuavam em sua dança desvairada, em sua dança mística e incompreensível. Não lembro mais nada. Não sinto, não vejo. Ouço apenas um uníssono de sete vozes que diz: “Não desça os degraus do sonho, para não despertar os monstros.”

28.iii.91

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Delírios lilases de gotas de chuva… no vidro da vidraça… Só… O último suspiro de uma existência eterna e infeliz. Triste, acabrunhada… Nada mais valia a pena. Nada mais tinha valor.

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25.ii.1991


 
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Já era outono dentro de si, gélido e pálido cair de folhas… enquanto fora o verão resplandescia em todas as cores, o interior era pardo, de uma cor indefinida de outono.

03.ii.1991