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Sentia o calor do sol penetrar os poros da pele. Sentia a chuva chovendo dentro da alma. E às lágrimas se misturavam gotas de chuva. Chuva que era um pouco de mar. Nuvens que boiavam sobre o oceano e foram trazidas pelos ventos andarilhos. Meu corpo jazia inerte nas areias à beira-mar. A chuva oceânica me trouxera ao mar. Não sabia como, mas estava lá. E ainda ouvia as vozes das sete Valquírias. Elas cantavam coisas incompreensíveis, não entendia as palavras, não entendia o que queriam dizer. Estranhos pensamentos, estranhos sentimentos. Não sabia, não via. Sentia. O sol. O mar. O céu. Estrelas cadentes, brilhantes, incessantes. Não via. Sentia. E as Valquírias continuavam em sua dança desvairada, em sua dança mística e incompreensível. Não lembro mais nada. Não sinto, não vejo. Ouço apenas um uníssono de sete vozes que diz: “Não desça os degraus do sonho, para não despertar os monstros.”

28.iii.91