ponto de mutação

On December 26, 2007 by miki

Mas quando tiver de virar uma borboleta…
vai achar um pouco esquisito, não vai?

[cartazete do look nas mãos de kate/luana andrezza]

Esse foi um traje que surgiu logo nos primeiros acordes da canção. Embora a lagarta não se consume em borboleta na narrativa, a idéia de um traje onde eu pudesse trabalhar grandes, enormes asas de borboleta me fascinaram desde o primeiro momento. Como a lagarta da história é azul, a cor da borboleta já estava decidida.

[primeiro esboço]

Passei a procurar espécies de borboleta azul, mas acabei optando por umas asas fictícias. Também queria que elas fossem muito bordadas, com um trabalho caprichado em rococós, que adoro, e pequenos brilhos em paetês azuis de diferentes tons e tamanhos aqui e ali. Estes seriam pontos de luz esparsos, quase estrelas numa noite, nada muito frenético ou carregado.

Como as asas por si só eram imensas, quis algo simples para atá-las ao corpo da boneca, por isso, criei um bustiê reto, sem mais delongas, com abotoamento frontal à mostra.

A parte de baixo do look, eu queria curta. Em contraposição à figura longelínea do top, pensei que o bottom poderia ter volume, daí surgiu a idéia de um shorts balonê. Desde o traje da Ayla eu continuava a pensar no tal shorts balonê que lá ficou muito 2D pro meu gosto. Eu gosto dele e das cores, mas queria que o modelo saltasse um pouco mais no espaço. Há algum tempo também eu vinha pensando na forma de umas flores chamadas balõezinhos, formada por cinco gomos iguais. Juntando o lé com o cré, não foi difícil chegar no modelo do shorts balonê deste look.

[mockup do módulo-balãozinho ~ foto por érica b.]

Fiquei encantada com as possibilidades que o trabalho com módulos proporciona. Isso é também reflexo dos origamis modulares que, em uma época da minha vida, eu andei fazendo. Vai daí que os módulos-balõezinhos se desdobraram em perna de shorts e manga de blusa na coleção da Alice.

Eu poderia dizer que escolhi a cor roxa do shorts porque ela está muito ligada à espiritualidade e à mutação que uma borboleta representa e também que a escolha dos módulos-balõezinhos representa um link das flores com as borboletas, mas, na verdade, tudo não passou de uma feliz coincidência. Talvez, lá no fundo, o inconsciente soubesse de tudo isso, mas confesso que não fiz de caso pensado. Foi mais mesmo porque esteticamente o conjunto me agradou muito. Acho que eu teria acrescentado um meião listrado em preto e branco ao look, conforme eu tinha planejado no meu primeiro rascunho. Para isso vou ter que começar a me aventurar mais no mundo dos tecidos :-).

[foto por ethnocentrics]

A escolha da modelo

A Luana foi uma das escolhas “sem sombra de dúvida”. Como ela é uma menina que sonha em ser astronauta, poder se vestir de borboleta é, de certa maneira, uma forma dela realizar o seu sonho.

Tenho certeza de que ela ficou muito feliz em desfilar com o traje “ponto de mutação”.

Uma cena

“Bem, talvez ainda não tenha descoberto isso”, disse Alice; “mas quando tiver de virar uma crisálida… vai acontecer um dia, sabe… e mais tarde uma borboleta, diria que vai achar isso um pouco esquisito, não vai?”

Lewis Carroll in Alice no País da Maravilhas

Cenas do próximo capítulo

Sabe que aqui tem segredos escondidos?

Volte na quarta que vem para saber o quê!

[a seguir… ~ foto por ethnocentrics]

BÔNUS TRACK
» Veja mais fotos do quarto look @ mundomiki’s flickr


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