alice wannabe, o conceito criativo

On November 7, 2007 by miki

Hoje faz uma semana de aniversário do desfile! E, para comemorar este e todos os subseqüentes aniversários semanais, inicio uma série de posts contando e mostrando como foi produzir a coleção.

Em junho de 2006, nascia o mundomiki. Um mundo cheio de sonhos e criaturas fofas. Bonecas-peça-única, inteiramente feitas à mão e com muitas histórias para contar. Histórias contadas em seus blogs: o blog da Aninha, o blog da Mirabelle, o blog do Petiga… O blog de cada uma das muitas bonecas-personagens.

[vernissage de lançamento do mundomiki ~ foto por isao okawa]


E para o caso de se apaixonar por Luana, Lola, Louis… eles estavam disponíveis para adoção. Adoção mediante a compra de uma roupinha. Depois, outras peças podiam ser compradas e, assim, o blog ia sendo alimentado contando a história de cada personagem.

Julho de 2006, várias bonecas adotadas, o projeto se mostrou um sucesso! Comecei a pensar, então, em desenhar uma coleção de roupas para as bonecas do mundomiki. Esse foi o embriãozinho do desfile que estava por vir.

Queria fazer uma coleção nos moldes de uma coleção para “gente de verdade”, com conceito, produção e tudo o mais, comme il faut. O primeiro passo era encontrar um tema, um assunto, um centro ao redor do qual iria orbitar a criação.

Esse foi o primeiro grande desafio, pois tudo o que eu pensava não me agradava: ora parecia muito trivial, ora muito bobo… nada parecia ser a escolha acertada. Depois de muito vai-e-volta e um certo desespero criativo que sempre bate (“será que eu não vou mais conseguir criar?”-e-seus-congêneres), finalmente encontrei Alice como um pequenino tesouro brilhante no meio das folhas de uma floresta insuspeita. Assim que pus os olhos nela, soube que era a escolha que eu buscava.

No meio desse processo, chegou o convite do Marcos para fazermos esse projeto juntos. Com a sua rica experiência como stylist, ele idealizou um desfile cujo foco seriam os toys (que começavam a bombar por aqui) e me convidou para fazer parte de seu projeto como a toy-designer. Pronto, foi o empurrão que faltava para a coleção já acalentada começar a tomar formas mais delineadas.

Agora era pesquisar tudo o que fosse pertinente e que pudesse servir de estímulo para o processo criativo. Comecei com aquilo que considero mais singelo em todo o projeto e que guarda uma memória sentimental: o primeiro livro de Alice que li na vida, em tenra idade. E, para minha surpresa, era uma versão traduzida e adaptada por ninguém menos do que Monteiro Lobato. Ler Alice novamente depois de tanto tempo foi puro deleite, pena que acabou tão rápido :).

[alice por monteiro lobato]

Um dia, ao ir para aula de desenho na casa do meu amigo Fá, acidentalmente descobri que ele tinha em sua posse uma versão amplamente comentada de Alice que ficou sendo, a partir de então, o meu livro de cabeceira. Ali, descobri fatos incríveis desde trocadilhos usuais para a época, passando por “equações” de lógica até maiores esclarecimentos sobre a suspeita predileção do reverendo por menininhas impúberes.

E assim, buscando daqui e dali fui me munindo de material. Uma coisa ia puxando a outra que ia puxando a outra… A partir daí, comecei a eleger possibilidades conceituais para orientar o desenvolvimento da coleção. Novo perrengue criativo, tudo o que eu pensava parecia meio besta, óbvio demais… simplesmente caracterizar as personagens do livro me parecia muito simplório, raso demais para tudo o que Alice poderia oferecer… pensei no baralho, mas me pareceu muito restrito a uma única faceta do livro… pensei em temáticas de cogumelo, em chás da tarde, em personagens malucos… dormia e acordava com Alice: Alice, sempre “Alice, sonhando, sempre sonhando…” como diria o narrador do Disquinho (é, aquele, em vinil colorido das crianças de antigamente).

[notas soltas, brainstorming agoniante]

No meio desse turbilhão de caos criativo com altos e baixos, o tempo foi passando… e, igualzinho a Alice, que batalha para entrar por aquela minúscula portinha do País das Maravilhas, também eu encontrei o meu caminho criativo congelando passagens do livro. Esse foi o fio da meada que guiou todo o conceptual design da coleção.

Era hora de começar a trabalhar na pesquisa iconográfica: eu queria que a coleção tivesse bases na moda da Inglaterra Vitoriana, já que o livro tinha sido escrito naquela época. E aqui preciso fazer um agradecimento muito especial à minha querida amiga Denise P. que me proveu de muito material bibliográfico-iconográfico, já que ela é uma grande estudiosa em moda. Sem ela, essa coleção não seria a metade do que é! Além desses elementos mais ligados à moda em si, fui pesquisar sobre os naipes do baralho, História e Geografia do século XIX, seres fantásticos, um tantinho de Biologia…

[algumas das minhas referências]

Enquanto isso, Marcos ia trabalhando na montagem de todo o circo fashion. Nada pequeno e nada acanhado que não faz o seu gênero! Conversávamos nos (poucos) intervalos de trabalho de um e de outro trocando figurinhas: eu sobre os caminhos da coleção que ia se desenhando e ele sobre as idéias que iam se desenrolando para o nosso querido cirquinho. Casting de modelos, idéias para o make, perucas absurdas à imagem e semelhança dos cabelos das minhas pequenas. E depois (muitas) idéias para os looks dos modelos, para o cenário, para a passarela! Além de toda a parte de trilha (essa em parceria com Isaac Varzim) e produção do material de divulgação (esse com criação/design gráfico da querida Érica B.). Só fiquei com pena de não ter podido acompanhar e curtir todo esse trabalho do Marcos, já que estava endoidecida produzindo, produzindo, produzindo… Afinal, como diria o coelho branco: “É tarde, é tarde, tão tarde até que arde!”

[prova do make ~ foto por marcos rossetton]

Uma última palavra

E quanto ao nome?

Bom, “Alice Wannabe” surgiu assim tão natural quanto se dá um sorriso e não tive a mínima sombra de dúvida de que era O Nome da coleção. Era tão perfeito que estava mais para “não poderia ser diferente disso” do que “pode ser uma opção”. Ele era curto, divertido, provocativo e, ao mesmo tempo, um pouco misterioso e enigmático do jeitinho que eu queria!

Cenas dos próximos capítulos

Na próxima quarta, saiba em detalhes como foi parir o primeiro look da coleçã.

Até lá!

[a seguir…]

SERVIÇO

Érica Bettiol
ericabettiol@gmail.com

Isaac Varzim
orkut

Isao Okawa
fotos @ flickr
i_okawabr@yahoo.com.br

Marcos Rossetton
www.marcosrossetton.com
contato@marcosrossetton.com
11-9232-0493


12 Responses to “alice wannabe, o conceito criativo”

  • Miki, que delícia compartilhar desse mundo lindo… Parabéns pelo trabalho instigante!
    Um beijo amoroso para todas as bonecas desse e de outros mundos da
    Carol Garcia

  • Adorei, Miki! Sou apaixonada pelo universo da Alice, inclusive tenho essa edição comentada, amo!
    Vou ficar acompanhando, desejo mais sucesso ainda para o teu projeto! Beijos!

  • Muito legal ver o que está atrás do “produto final”, aguardo a continuação…

  • Miki,
    Super produção. Adorei. Pena que não pude estar presente.
    Estou com muita saudade. Pelo que vi foi um sucesso. Adorei também os textos. Conceitual, e emocional e ao mesmo tempo. Sou sua FÃ. Adorei e desejo um super sucesso para vc e para a Alice
    Mylene

  • carol! que surpresa boa te ver por aqui! muito obrigada pela visita, as bonecas todas mandam beijos para vc!

    luna querida, que saudades! espero que esteja tudo bem contigo. que legal que vc tb curte a alice. essa edição comentada foi um verdadeiro achado :-)!

    karen, adoro escrever sobre o processo criativo, que bom que vc gostou!

    bjs a todas, miki

  • oi my!
    senti sua falta! mas entendo que evento no meio da semana é complicado!
    vc sabe q eu tb sou sua fã hehehe!

    bjs, miki

  • Miki querida, Inovadora, criativa, gênia, artista, vc é fodona e sou sua fã!
    Um beijo enorme e OBRIGADA por compartilhar
    Beh

  • oi beth!
    senti sua falta :-)!
    obrigada por tantos elogios!
    espero q esteja td bem por aí!
    beijinhos, miki

  • Querida, te admiro muito e tambem o teu trabalho .
    adorei varias coisas aqui que sao novidade. A título de curiosidade o lewis carol esta enterraado aqui na cidade aonde moro. Tem algumas esculturinhas com passagens dos livros: through the rabbit hole, through the looking glass.

  • tina, que legal! quando eu for te visitar, vc me leva pra ver =^.^=???
    aguarde novas histórias na próxima 4a hehehe.
    beijocas, querida!
    miki

  • oi Miki, sou estudante de moda e estou pesquisando o processo criativo de uma coleção. RS não é nada fácil mesmo. Bate frustrações e desespero a todo tempo. hoje fui a um polo textil recolher material detalhe: não tenho nada desenhado ainda,beleza, é esse o processo da escola. Voltando… estou escrevendo para fazer elogios ao seu blog. Ele me ajudou. um abraço e parabéns
    Nádia

  • nádia, seja muito bem-vinda ao mundomiki =^.^=!!!

    fico muito feliz q o meu trabalho tenha te ajudado. processo criativo é realmente um trabalho e tanto a se fazer e não tem nada daquela conversa fiada pra boi dormir de “inspiração”. é sentar a bunda na cadeira e trabalhar e não é trabalhar pouco não, rs!

    desejo sucesso e aprendizado em seu processo e espero que tudo saia como você deseja!

    abraços,
    miki

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