lacaio de libré

On January 9, 2008 by miki

“Um lacaio de libré saiu correndo do bosque.”

[cartazete do look nas mãos de alice/marcele braga]

Uma das personagens masculinas que eu tinha certeza que iriam entrar pra coleção era o lacaio de libré. Apesar de nunca ter visto uma libré ao vivo, acho muito chique ter um lacaio que se veste a rigor.

As minhas pesquisas do traje não foram exatamente bem-sucedidas de modo que eu acabei tomando como base principal o desenho de Tenniel para o livro de Alice e fazendo uma ou outra intervenção a partir de trajes masculinos da era vitoriana. Baseei-me, sobretudo, em um traje de cavalaria que encontrei no livro “Fashion: A History from the 18th to the 20th Century“.

Eu queria cores sóbrias e discretas para o traje. A escolha começou com o ocre da calça, a camisa era certa que seria branca e, por último, compondo o conjunto, decidi pelo marinho. No esboço original, eu pensava em colocar aqueles adornos por cima do ombro, mas, no decorrer da construção, acabei desistindo desse detalhe. A cauda “rabo-de-peixe”, porém, é algo que existia desde o início e que persistiu no projeto final. Adoro trajes assimétricos, que trazem esse quê de surpresa.

[primeiro esboço]

A calça, que, no esboço, eu gostaria que fosse curta e de cintura alta acabou não ficando com a cintura assim tão alta: eu queria que os detalhes de abotoamento da calça ficassem visíveis, de modo que acabei abrindo mão da cintura alta. Os detalhes de abotoamento desta peça são um capítulo à parte: eu queria um acabamento impecável e botões delicados e foi uma trabalheira bordar a mão toda a parte do viés e anexar os abotoamentos.

[detalhe da calça ~ foto por ethnocentrics]

A camisa deveria ser com bastante babados e absolutamente branca. Mas aqui vai um segredo de bastidor: como fui priorizando o que era mais importante, a camisa teve um início de modelagem que ficou pequeno e eu acabei improvisando uma camisa fake ~ o.O ~ bordando os babados no próprio casaco! Não é exatamente algo de que me orgulho, rs, mas era o possível a fazer naquele momento! Ainda quero fazer uma camisa de verdade com muitos babados para o traje ficar completo.

O casaco também seguia o abotoamento delicado da calça e o ponto mais importante eram as mangas que deviam dar a impressão de serem dobradas e de a dobra avançar de maneira considerável. Quis fazer um contraponto de cor nessa dobra para que o marinho não ficasse com uma sobriedade extrema, desnessária. Mas era preciso uma intervenção que fosse, ao mesmo tempo, elegante. E uma pequena extravagância para arrematar: os dois pontos de luz dourada feitos com paetês, um ligeiramente maior do que o outro como se fossem grandes botões enfeitando a dobra da manga.

[é o louis! ~ foto por ethnocentrics]

A escolha do modelo

Louis só se emperiquetaria dessa maneira se precisasse se apresentar com pompa num encontro de magia :-). Eu queria evitar a conotação de um boneco negro como criado, o que tirou o Petiga da jogada. Por outro lado, diametralmente oposto a essa situação, seria alguém loiro e de olhos azuis. De modo que a escolha do modelo foi completamente política :-).

Uma cena

“Por um ou dois minutos, ela ficou olhando para a casa e pensando o que fazer em seguida, quando, de repente, um lacaio de libré saiu correndo do bosque (supôs que era um lacaio porque estava de libré; não fosse por isso, a julgar apenas pelo rosto, teria dito que era um peixe) e bateu à porta ruidosamente com os nós dos dedos.”

Lewis Carroll in Alice no País das Maravilhas

Cenas dos próximos capítulos

Ahhhhh! Quer saber sobre as cartas do baralho?

Venha na próxima quarta!

[a seguir… ~ foto por ethnocentrics]

BÔNUS TRACK

» Veja mais fotos do sexto look @ mundomiki’s flickr


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