a lagoa de lágrimas

On December 5, 2007 by miki
“Gostaria de não ter chorado tanto.”

[cartazete do look ~ foto por débora r.]

Engraçado… esse foi um dos primeiros looks concebidos e modelados, mas um dos últimos a serem finalizados. Ele ficou recortado e montado com uma linha vermelha marcando onde eu queria bordar as pérolas até quase o último dia.

[modelagem à espera ~ foto por érica b.]

Como ele já estava concebido e modelado me dava, de uma certa maneira, a segurança do terreno conhecido. A minha idéia inicial era “deixar pra fazer à noite, já que era branco” – o que facilitaria o trabalho mesmo com pouca luz.

O capítulo homônimo do livro explora, em especial, o crescer-diminuir de Alice e mostra o embevecimento da menina e também o começo de sua aflição com o fato. Por isso, eu quis incorporar essa parte importante do enredo na construção da peça. Embora não tenha ficado tão evidente como eu gostaria, a parte da frente do vestido é mais curta e a de trás mais comprida. Como eu fazia questão da saia bastante rodada – essa era uma das características da moda vitoriana que eu elenquei para fazer parte da coleção – era difícil fazer marcadamente o “curto” e o “comprido”.

Na história, uma Alice grande, muito grande, começa a choramingar porque não consegue ficar do tamanho necessário para passar pela portinha que dá num lindo jardim. Porém, como ela está gigante em relação ao salão onde se encontra, não demora muito para encher todo o pequenino lugar, daí o nome “lagoa de lágrimas”. Achei que essa passagem renderia uma bela representação e logo imaginei lágrimas como bordados de pérolas e, claro, num branco para trabalhar a sutileza do branco sobre branco.

[primeiro esboço]

Obviamente, como eu não gosto de nada pouco ou fácil, eu quis muito bordado e não um detalhe pequeno. Pensei que uma espiral vinda de cima até embaixo seria bom como se fosse o caminho percorrido pelas lágrimas até chegar na barra da saia que, por sua vez, seria o “repositório”, ou seja, a lagoa propriamente dita.

Para a lagoa, pensei em bordar uns bolos do mesmo galão de voal que usei para fazer a gola-colar d’A Queda. Mas não seria um bordado reto, certinho e sim algo meio caótico e confuso para dar a impressão de as pérola virem formar um volume na base do vestido. Como se tratava de uma lagoa salgada, gosto de imaginar que, pelo formato do galão, haveria alguma cristalização das águas.

Perto do barrado, as pérolas começam a ficar maiores, como se algumas das lágrimas que vêm correndo se juntassem e ficassem “gordas”.

[aninha orgulhosa de seu vestido ~ foto por ethnocentrics]

A escolha da modelo

A Aninha é uma menina toda esportiva. Gosto do contraste de “moleca sapeca” vestindo um traje como esse. Embora não faça o estilo dela, creio que num momento de extrema gala ela faria bonito metida nesse vestido :-D!

Uma cena

“Devia ter vergonha”, disse Alice, “uma menina grande como você” (podia bem dizer isso), “chorando dessa maneira! Pare já, já, estou mandando!” Mesmo assim continuou, derramando galões de lágrimas, até que à sua volta se formou uma grande lagoa, com cerca de meio palmo de profundidade e se estendendo até a metade do salão.”

Lewis Carroll in Alice no País das Maravilhas

Cenas do próximo capítulo

Aguardem notícias do terceiro look na quarta que vem!

Até lá!

[a seguir…]

BÔNUS TRACK
» Veja mais fotos do segundo look @ mundomiki’s flickr


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